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    O DONO DO JOGO

    Filme não se aprofunda nas questões realmente importantes
    Por Daniel Reininger
    27/04/2016

    O Dono Do Jogo é um filme sobre uma lenda do esporte que mudou o status quo com jogadas incríveis. E, como todo filme do gênero, a superação dos próprios limites é o grande ponto. A diferença é que o assunto aqui é xadrez, então não espere grandes cenas de ação envolvendo times rivais – a tensão e a pressão dos campeonatos são aspectos psicológicos e a única maneira de saber que algo foi épico é quando os personagens nos avisam disso.

    Esse é um grande problema para O Dono do Jogo. Sua narrativa segue o formato padrão desse estilo de filme, o que já mostra falta de criatividade, mas fica realmente problemático quando precisamos acompanhar jogadas dos Mestres do Xadrez por longos minutos, sem saber bem quem está levando vantagem.

    A forma como as disputas são filmadas é a mesma de tantos outros filmes de esportes, enfatizando a tensão e momentos decisivos, mas a diferença é que falta ação. Mesmo que não estejamos familiarizados com Baseball, por exemplo, não é difícil entender que jogar a bola para fora do campo enquanto jogadores correm pelo campo comemorando é algo bom. Enquanto no xadrez, sacrificar um cavalo pode ter o mesmo impacto, porém, se ninguém explicar, os leigos ficarão perdidos, até pela falta de reação dos jogadores – sempre muito sérios e concentrados.

    O filme conta a história da lenda norte-americana do xadrez Bobby Fischer (Tobey Maguire), que enfrenta o também lendário Boris Spassky (Liev Schreiber) no Campeonato Mundial. O estado mental de Fisher é um aspecto importante e mais interessante do que as disputas em si, pena que é mal explorado. Sua condição, de fato, afeta quase todas as suas ações na narrativa, mas vemos mais o impacto disso nas competições do que em sua vida pessoal, com exceção de uma única cena, na qual busca ajuda de sua irmã.

    Essa ótima cena deixa claro que o foco da obra deveria ter sido sua vida pessoal e não o sucesso profissional. Os momentos mais tensos de sua vida, entre 1972 e 2008, são simples notas alternadas por gravações de arquivo exibidas no final do filme, enquanto deveriam ser o foco da obra.

    Na verdade, nada é aprofundado e as soluções são sempre simples, sem muita explicação. Como e porque Bobby passa a ser influenciado por extremistas religiosos? Como surgiram os problemas com sua mãe? Qual a razão de sua paranoia? O filme comenta que os maiores jogadores de xadrez parecem sofrer de alguma instabilidade mental, mas isso é algo relacionado ao jogo ou o jogo é uma escapatória para quem já sofre com esses problemas? E o que faz Bobby mudar de ideia nos principais momentos do filme? Nada é justificado.

    Apesar disso, o longa ganha muito com grandes atuações de Michael Stuhlbarg como advogado e agente Paul Marshall, homem que coloca Bobby no caminho do estrelato, padre Lombardy (Peter Sarsgaard), apoio psicológico de Bobby, e do próprio Tobey Mcguire como protagonista assombrado por paranoias e profunda instabilidade mental.

    A ambientação dos anos 1960 é bem feita e as tensões da Guerra Fria dão o tom de urgência ao filme. Só que, no final, a história não traz nada novo, ao ponto de lembrar bastante Rocky IV. A narrativa não inova e o drama raso não é capaz de tocar realmente. Com isso, Dono do Jogo se torna um filme descartável, que toca a superfície da vida de um gênio atormentado, sem realmente contar sua história como deveria.