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    O DUPLO

    Obra clássica ganha ambientação distópica e roteiro confuso
    Por Gustavo Assumpção
    25/02/2015

    Adaptação ao cinema do clássico do russo Fiódor Dostoiévski, O Duplo ousa e dá nova roupagem para a história original. O responsável pela ousadia é Richard Ayoade, diretor e comediante ainda em início de carreira que dublou a animação Os Boxtrolls. Ayoade investiu em um roteiro que mantém a premissa da obra publicada em 1846, mas pinta cenários e atuações com um jeito pop, embora mantenha o aspecto sombrio de seus personagens.

    O Duplo é estrelado por Jesse Einsenberg (A Rede Social). Ele é Simon, um tímido e desolado trabalhador de uma grande corporação. Ele mora sozinho, a mãe está internada em um abrigo para idosos e sua principal preocupação é tentar se aproximar de Hannah (Mia Wasikowska, de Alice No País Das Maravilhas). 

    É então que surge um novo funcionário em seu local de trabalho: James, o oposto de Simon: confiante, carismático e sedutor. Para o horror do protagonista, James começa a tomar conta de sua vida e conquistar o que ainda lhe resta. É mais ou menos o que Denis Villeneuve já mostrou em O Homem Duplicado, mas lá baseado em texto de José Saramago.

    Embora o filme brinque com o existencialismo e seja uma versão exagerada da vida contemporânea dominada pelo trabalho diário repetitivo, o roteiro se perde na tentativa de tratar sobre tantos temas. O Duplo acaba sendo um pastelão ambientado em um mundo distópico, sombrio e recheado de pequenos exageros estéticos, como suas cores ocres ou seu jeito obsoleto. A trilha sonora que mistura música clássica com sintetizadores típicos dos anos 80 e sons de bandas pop irritantes, criam um ambiente claustrofóbico do qual muitas vezes o próprio espectador pode parecer disposto a escapar.

    O trabalho ganha força com a grande atuação de Einsenberg, carismática e por vezes tão bem-humorada como os espaços do roteiro parecem permitir. Mas a edição é imprecisa, o que impede que o ponto central dessa história - a oposição entre o que podemos ser e aquilo que gostaríamos de ser - ganhe profundidade. A oposição entre o personagem e seu duplo também parece relativamente rasa.

    Ayoade está ganhando espaço com sua estética longe do comum e suas tramas com personagens jovens estranhíssimos, algo que já apresentou com Submarino. Aqui, apresenta um mundo tomado pela repetição e pela fuga das identidades particulares - tão sufocante que o início e o final de sua narrativa nos mostram que talvez, para alguns, seja impossível continuar simplesmente existindo.