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    O ENVIADO

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    As premissas de alguns filmes conseguem passar certa segurança em relação à sua qualidade. Outros, aparentemente medíocres, surpreendem mais do que o espectador esperava enquanto comprava sua pipoca antes da sessão. Agora, há também a categoria dos que parecem ser bons, mas são ruins. Este é o caso de O Enviado. Veja bem: só o fato de ter Robert De Niro já é um chamativo. Além disso, o filme dirigido por Nick Hamm (O Buraco, esse sim muito bom) parece se tratar somente de clonagem de humanos, o que é bem bacana. Mas nem isso adiantou: Hamm conseguiu estragar o filme mal aproveitando De Niro, não levantando a questão da clonagem humana e, pior, jogando com uma série de clichês e sustos fáceis, conhecidos por qualquer um que já viu mais de dois filmes de suspense.

    Poucas coisas no mundo são mais dramáticas e dolorosas do que a perda de um filho. É assim que começa O Enviado: Paul (Greg Kinnear) e Jessie (Rebecca Romijn-Stamos) são um típico casal jovem e feliz que mora em Nova York. Ele é um professor enquanto ela é fotógrafa. Felizes, eles têm um (claro) lindo filho, Adam (Cameron Bright), que acaba de completar oito anos. Só que o menino sofre um acidente e morre, levando o casal ao desespero. É quando entra em cena a o Dr. Richard Wells (Robert De Niro), que fora professor de Jessie. Ele apresenta ao casal uma experiência que vem desenvolvendo clandestinamente em seu laboratório, o famoso Godsend, especializado em reprodução assistida. A tal experiência está voltada à clonagem humana. Se Paul e Jessie concordassem, eles teriam Adam de volta. Mas, como tudo tem um porém, Dr Wells não poderia prever o que aconteceria com o clone quando o novo Adam chegasse aos oito anos, idade com a qual ele morreu.

    Enfim, acho que não é muito surpreendente dizer que problemas começam a surgir a partir daí: Adam começa a ter visões e pesadelos. O menino parece passar mais tempo no meio dos seus sonhos do que acordado e, quando está de olho aberto, consegue ser bem esquisito e assustador. É como se ele estivesse realmente possuído por outra pessoa e é pensando nessa possibilidade que seu pai começa a investigar as razões desses problemas.

    O Enviado parte de um tema interessante: as conseqüências da clonagem humana. Enquanto poderia levantar questões éticas e morais, o filme enreda para uma trama sobrenatural e inconsistente. O diretor usa elementos manjados nesse tipo de filme - como o menino (poucas coisas são mais assustadoras do que crianças em suspenses), pessoas escondidas em armários, galpões abandonados cheios de apetrechos agudos, uma floresta (ou seria um bosque?), mais crianças. Para não surpreender a ninguém, no final das contas. Enfim, O Enviado é uma verdadeira lição de como desperdiçar bons ganchos.