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    O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO

    Filme diverte, mas peca nos vilões
    Por Daniel Reininger
    29/04/2014

    O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça De Electro é um dos melhores filmes já feitos sobre esse herói. Embora o primeiro longa da nova trilogia não agrade, serviu para mostrar que Andrew Garfield é melhor como Peter Parker do que Tobey Maguire, afinal interpreta alguém mais parecido com o personagem dos quadrinhos. Ele ainda faz par com a graciosa Emma Stone, capaz de derreter corações no papel de Gwen Stacy. A série já tinha bons protagonistas e só faltava o resto funcionar e isso começa a acontecer nessa sequência.

    Para falar a verdade, esse longa agrada bastante, mas o é o carisma de Garfield e Stone que impulsiona essa continuação. Na trama, o casal enfrenta problemas após Peter prometer ao pai de Gwen que ficaria longe da garota. Ao mesmo tempo, a Oscorp continua com seus planos secretos e a morte de seu presidente coloca Harry Osborn (Dane Dehaan) numa posição complicada.

    Desde o primeiro filme, a corporação é mostrada como fonte de todos os problemas dessa versão do universo do Aranha. Na sequência, a coisa se complica com a revelação de uma diretoria inescrupulosa e projetos militares secretos. Um acidente dentro dos laboratórios da empresa cria Electro, tudo é encoberto, e essa é apenas a primeira de muitas ameaças enfrentadas pelo cabeça de teia.

    O maior problema do longa está nos vilões. Bem diferentes e com arcos distintos, incomodam não pela quantidade de inimigos, mas sim pelas atuações. Embora Electro funcione visualmente, a personalidade de Max é irritante, afinal ele é muito carente e possui algum trauma não aprofundado. Jamie Foxx se entrega demais à esse único traço do personagem e não consegue criar algo interessante.

    Rino, por sua vez, mal aparece neste longa e nunca agrada de fato. Apesar de a armadura ser mais agressiva que a dos quadrinhos, o que chama a atenção é a péssima atuação de Paul Giamatti. O ator não encontrou o tom, exagera a cada fala e estraga suas cenas. A situação lembra o Duas Caras de Tommy Lee Jones em Batman Eternamente, incapaz de encontrar o meio termo entre a seriedade e a comédia.

    Melhor dos três antagonistas, James DeHaan é capaz de interpretar Harry Osborn de forma peculiar e a retomada da amizade com Peter ajuda a desenvolver os dois personagens. Esse é um dos bons momentos do filme, assim como a deterioração da saúde física e mental do jovem bilionário. Infelizmente a sensação é de deja-vu, problema inerente a uma franquia cujo reboot aconteceu tão próximo do fim da série anterior.

    Apesar disso, o longa de Marc Webb é divertido, capta bem o espírito dos quadrinhos e aprofunda o passado de Peter, ainda assombrado pelo segredo de seus pais. O roteiro amarra bem os eventos e, de quebra, amplia o universo para abrir caminho para o filme do Sexteto Sinistro e possíveis sequências do próprio Aranha.

    Além disso, o cineasta entende como o aracnídeo se move e aproveita sua agilidade ao máximo na telona para criar combates empolgantes. O jogo de luz e sombra também é impactante e a fotografia cuidadosa, com planos abertos para mostrar a destruição e closes para as cenas emotivas, sempre com efeitos-especiais de primeira linha. Até o 3D funciona, apesar do recurso permanecer supérfluo. A trilha sonora de Hans Zimmer completa a obra, com temas épicos e sombrios, como fez para a trilogia Batman, de Christopher Nolan.

    O Espetacular Homem-Aranha 2 ainda guarda outra carta na manga: o espectador se importa com o destino dos personagens e sente o peso de suas decisões e dilemas. Mais do que isso, o longa é capaz de emocionar em, ao menos, dois momentos distintos - aspecto raro para filmes de super-heróis.