cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    O ESPIÃO QUE SABIA DEMAIS

    Memorável, longa é do tipo que merece ser visto e revisto e reúne elenco de primeira<br />
    Por Paulo Gadioli
    11/01/2012

    Como o próprio nome deixa claro, O Espião Que Sabia Demais é um filme de espionagem. Pode parecer óbvio, mas não se engane. Explosões, perseguições em alta velocidade e incessantes tiroteios ficam em segundo plano, pois a abordagem aqui é diferente. O que o diretor sueco Tomas Alfredson apresenta é um irretocável retrato do lado menos glamuroso do serviço secreto, lembrando a eficácia de clássicos como Intriga Internacional ou O Falcão Maltes.

    Conduzindo a trama está o veterano George Smiley, brilhantemente interpretado por Gary Oldman em um dos melhores papeis de sua admirável carreira. Observador, quieto e de poucas palavras, ele é incumbido pelo MI6, serviço secreto britânico, a abandonar sua recém-adquirida aposentadoria para descobrir quem é o informante infiltrado no Circo, apelido dado à agência.

    Somos então convidados a participar - e não somente a assistir - da missão de Smiley. Em vez de não confiar na capacidade de compreensão de sua plateia, como inúmeras besteiras que chegaram às salas de cinema no último ano deixaram de fazer, Alfredson pede atenção completa para que a trama se desenvolva. Em momento algum ele dificulta propositalmente a narrativa. Apenas não facilita.

    Nas mãos de uma equipe menos talentosa, esta adaptação do clássico de John Le Carré poderia ter ficado uma bagunça. Mas algumas escolhas acertadas em departamentos essenciais como roteiro, direção, direção de arte, fotografia e elenco garantiram a qualidade do resultado final.

    Levando em conta que não se trata da uma história linear, mas sim de constantes idas e vindas entre o passado e o presente na tentativa de desvendar e compreender os mistérios investigados, ficou a cargo da dupla de roteiristas Bridget O'Connor e Peter Straughan não deixar o espectador se perder entre o que aconteceu, o que está acontecendo e o que pode vir a acontecer.

    Neste quesito, Tomas Alfredson também fez sua parte, especialmente por meio de posicionamentos inusitados de câmera, apresentando diversas cenas muito bem compostas que, mais do que diálogos, buscavam revelar o que estava por trás daqueles espiões, frios e distantes por obrigações profissionais.

    Estes momentos em que os personagens interagem ganham ainda mais força com a direção de arte, responsável por nos levar diretamente ao que deve ter sido o período da Guerra Fria, e pela fotografia. Usando a experiência adquirida em Deixe Ela Entrar, o fotógrafo Hoyte Van Hoytema usou tons majoritariamente frios para o longa, beirando o preto e branco, acentuando ainda mais as relações cinzentas que os personagens tinham uns com os outros e até com eles mesmos.

    Somados todos os elementos apresentados até agora, é capaz que até com atores medianos tivéssemos um resultado final satisfatório. No entanto, o filme reuniu alguns dos profissionais mais talentosos de diversas gerações. Assistir a John Hurt brigar com Colin Firth e Toby Jones enquanto Gary Oldman apenas analisa a cena por trás de seus grossos óculos é para deixar qualquer fã de cinema extasiado.

    É no elenco que O Espião Que Sabia Demais atinge seu ponto máximo. Mark Strong deixa de lado o estigma ˜vilão de filmes de Hollywood˜, Benedict Cumberbatch mostra que é um talento a ser considerado, e Tom Hardy, que em 2012 deve se tornar mais conhecido por ser o vilão do novo Batman, é o fio humano que lembra aos espectadores que os espiões não são robôs.

    Reunindo um dos melhores elencos já vistos e, principalmente, confiando na inteligência de seu público, Tomas Alfredson transformou O Espião Que Sabia Demais em um filme memorável. Do tipo que merece ser visto e revisto, pois deixa algo ao final da exibição, não apenas o vazio cada dia mais comum ao término das sessões do circuito.