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    O ESTRANHO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Duplamente indicado ao Oscar numa só tacada (por Traffic e Erin Brockovich), o diretor Steven Soderbergh virou mania nacional e internacional entre os fãs de cinema. Novo queridinho de Hollywood, ele é o "gênio da vez", "o talento da hora" ou, em outras palavras, o cineasta que os críticos vão adorar malhar no futuro, dizendo coisas como "desta vez Soderbergh errou a mão". Sim, o cinema é uma indústria cruel.

    Aproveitando sua popularidade, chega agora aos cinemas do Brasil um filme que o diretor realizou antes das indicações ao Oscar: O Estranho, de 1999. O título original - The Limey - se refere a uma gíria usada para designar os marinheiros britânicos que eram obrigados a chupar limão - lime - para evitar o escorbuto. Não que Wilson (Terence Stamp), o personagem central do filme, seja um marinheiro. Mas ele é, sim, um tipo rude, amargo, vindo das classes baixas, com seu ininteligível inglês cockney, dialeto praticamente incompreensível aos americanos.

    A história se inicia com Wilson dentro de um avião. Após um período na cadeia, ele está indo a Los Angeles para investigar a morte de sua filha Jennifer. Logo ele percebe que o milionário produtor musical Terry Valentine (Peter Fonda), ex-namorado da garota, pode estar profunda e criminosamente ligado à tragédia.

    Esta história, rasa e convencional, é o que menos importa no filme. Muito mais interessante é ver - e apreciar - a forma pela qual esta simples trama policialesca ganha contornos muito mais interessantes por meio do estilo de Soderbergh. Repetidas vezes, o diretor prega peças na platéia. Mistura presente com passado. Funde os desejos do personagem com a realidade. Subverte o tempo e não hesita em recontar a mesma cena de formas diferentes. Em determinadas passagens, coloca no mesmo tacho as estéticas de Corra, Lola, Corra e do desaparecido Quentim Tarantino.

    Toda esta montanha russa sensorial é desenvolvida de maneira tão eficiente que passa a ser questionável uma das frases desta crítica: "A história se inicia com Wilson dentro de um avião". Talvez ela se encerre com Wilson dentro de um avião. Ou, quem sabe, Wilson apenas imagina que está dentro de um avião...

    Curiosidade: as cenas de flashback, onde o personagem de Terence Stamp aparece moço, não é fruto de uma maquiagem perfeita. Trata-se, na verdade, de trechos do filme A Lágrima Secreta, que Stamp protagonizou em 1967.

    10 de abril de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br