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    O EXORCISMO DE EMILY ROSE

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Alguns trailers enganam. É o caso da prévia de O Exorcismo de Emily Rose, que dá a impressão ao espectador que se trata de um O Exorcista versão 2005. Para o bem ou para o mal, não é isso que ele encontra, mas sim um filme no qual as cenas de tribunal prevalecem. Aqui, mais interessante do que assistir à degradação de uma jovem possivelmente possuída pelo demônio é pensar na questão médica versus a religiosa, o ceticismo contra a fé.

    O título parece ser auto-explicativo: trata-se do exorcismo de uma jovem chamada Emily Rose (Jennifer Carpenter). Mas, na verdade, o filme aborda as conseqüências desse processo, principalmente na vida do padre Moore (Tom Wilkinson), condutor do ritual fracassado. Quando a menina de 19 anos morre de falência múltipla dos órgãos após uma série de escoriações no corpo devido à possessão, como acredita o religioso e a família dela, Moore é preso por negligência médica. Afinal, para as autoridades ele foi o culpado da morte da jovem. No banco do réu num julgamento, o padre tenta provar o contrário e, para isso, recebe a ajuda de uma advogada agnóstica, Erin (Laura Linney). Ela, por sua vez, começa a se envolver cada vez mais com a história do religioso.

    O grande ponto de O Exorcismo de Emily Rose é abordar essa dicotomia que existe entre as crenças do padre e das autoridades, representadas pelo promotor público Ethan Thomas (Campbell Scott). Para Moore, a menina realmente estava possuída, apesar de dados médicos apontarem para quadros de psicose e epilepsia, sintomas que começam a vir à tona quando ela entra na faculdade. Ao mesmo tempo, por meio de flashbacks, o espectador conhece a história de Emily Rose, presenciando as manifestações aparentemente demoníacas. Estas cenas, sim, são de botar medo. Jennifer Carpenter consegue assustar de forma bastante consistente como a jovem endiabrada. Contorce o rosto e, principalmente, o corpo como uma forma de mostrar que alguns demônios estão tomando conta dela. Mas as comparações com O Exorcista devem terminar por aqui. Afinal, são poucos os momentos de terror em O Exorcismo de Emily Rose. O filme serve melhor como um veículo para que se possa abrir um debate em relação a essa prática que, se era comum há séculos, hoje é considerada atrasada até mesmo pela Igreja católica, principalmente porque esse tipo de ritual quase sempre acaba com a morte da "possuída", como é o caso nesta produção baseada em fatos reais.

    Desta forma, caro leitor, não se engane ao esperar um novo O Exorcista. O Exorcismo de Emily Rose está longe de ser comparado ao clássico de 1973, o que não é problema nenhum para a produção assinada por Scott Derrickson. Adulto e complexo, este filme faz com que o espectador pense ao invés de levar sustos.