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    O EXORCISTA - VERSÃO DO DIRETOR

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Vinte e oito anos após sua estréia, volta às telas dos cinemas um dos filmes de terror mais polêmicos e comentados de todos os tempos: O Exorcista. Nesta nova montagem, batizada de “versão do diretor” não há na realidade novidades muito expressivas, mas não é isso que importa neste relançamento. O que conta mesmo é o prazer de apreciar - em toda a magnitude da tela grande e do som remasterizado - este clássico do horror que muita gente não teve a oportunidade de ver no escurinho do cinema.

    O diretor William Friedkin, na época, fez verdadeiras loucuras para conseguir imprimir à sua obra todo o clima de tensão, suspense e pânico que o livro original de William Peter Blatty pedia. Ele disparava tiros com um revólver 38 para assustar o elenco, não hesitava em submeter seus atores a cruéis esforços físicos para obter o efeito desejado (a então garota Linda Blair, por exemplo, quase teve suas vértebras deslocadas na cena em que ela é sacudida na cama) e chegou até a esbofetear um ator coadjuvante para que ele ficasse trêmulo numa cena de morte. O set que servia de quarto para a garota possuída era refrigerado por quatro grandes aparelhos de ar-condicionado, para que as filmagens transcorressem numa temperatura abaixo de zero e, assim, ficasse visível a respiração gelada dos atores.

    Após quase três décadas, percebe-se que todas estas excentricidades de Friedkin valeram a pena: O Exorcista continua assustador. Assim como em outro clássico do gênero – Os Pássaros –, O Exorcista também é eminentemente um filme de clima, onde não há propriamente uma grande história a ser contada. Tudo gira em torno do pavor crescente provocado por um demônio que incorpora numa menina de 12 anos. Não espere maiores explicações, muito menos segredos reveladores no final. Prepare-se apenas para sentir medo.

    Ficaram clássicas as cenas do vômito e, principalmente, a da masturbação com um crucifixo (“nunca pensei que eles permitiriam a exibição de uma cena como esta”, revelou William Peter Blatty numa entrevista recente). Mesmo com alguns efeitos especiais que hoje parecem infantis (o pescoço virando 360 graus sobre o tronco por exemplo), o filme ainda tem força e vigor. As novas gerações talvez estranhem a ausência das fórmulas consagradas em Pânico ou Halloween, mas O Exorcista continua valendo o preço do ingresso.

    Só para você se arrepiar um pouquinho mais enquanto assiste ao filme, fique sabendo que durante o período de sua produção, nada menos que nove pessoas direta ou indiretamente relacionadas à filmagem acabaram morrendo...

    1º de março de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br