Novo cartaz de O Exterminador do Futuro: Gênesis

O EXTERMINADOR DO FUTURO: GÊNESIS

(Terminator Genisys)

2015 , 126 MIN.

12 anos

Gênero: Ação

Estréia: 02/07/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Alan Taylor

    Equipe técnica

    Roteiro: Laeta Kalogridis, Patrick Lussier

    Produção: Dana Goldberg, David Ellison

    Fotografia: Kramer Morgenthau

    Trilha Sonora: Lorne Balfe

    Estúdio: Paramount Pictures, Skydance Productions

    Montador: Roger Barton

    Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

    Elenco

    Aaron V. Williamson, Arnold Schwarzenegger, Brett Azar, Byung-hun Lee, Christopher Heskey, Courtney B. Vance, Douglas Smith, Emilia Clarke, J.K. Simmons, Jai Courtney, Jason Clarke, Matt Smith, Michael Gladis, Nolan Gross, Sandrine Holt

  • Crítica

    01/07/2015 16h12

    Por Daniel Reininger

    Como revitalizar uma franquia que teve seu auge nos anos 90 (com T2) e, desde então, parece sobreviver apenas do legado dos filmes de James Cameron? Mudando tudo que conhecemos e aumentando os riscos, claro. Isso é exatamente o que O Exterminador Do Futuro: Gênesis tenta fazer, com o retorno do sempre carismático Arnold Schwarzenegger e a presença de Emilia Clarke, de Game of Thrones. O problema é que o longa só funciona de verdade quando recria e expande os eventos do clássico de 1984, perdendo fôlego exatamente no ponto mais importante: a história original.

    Como todo bom filme da franquia, começamos no futuro devastado pelo fogo nuclear, onde máquinas e humanos travam uma batalha terrível pelo domínio do planeta. Como o filme é também um reboot, ele aborda a história desde o início, explica quem é John Connor e reconta como tudo aconteceu, algo importante para que os novos públicos compreendam a história.

    Por sinal, a trama é a mesma do original por boa parte da narrativa: Connor vence a Skynet, mas um exterminador é mandado de volta no tempo para matar sua mãe, Sarah. Como resposta, Kyle Reese é enviado para protegê-la.

    As coisas se complicam quando Reese encontra um exterminador, modelo T-1000, exemplar que ele não chegou a conhecer – o que significa que a guerra não acabou como ele pensava. A partir daí, as coisas seguem um novo rumo. Enquanto estamos em 1984, a trama até funciona, mesmo com as diferenças criadas pelo roteiro de Laeta Kalogridis e Patrick Lussier. É bom ver que o filme tenta fugir da fórmula clássica da franquia, porém, a verdade é o que ele nunca ganha vida própria.

    Embora o exagero de referências seja um problema, a narrativa desanda mesmo quando Sarah e Reese avançam no tempo até 2017, 20 anos após a data que deveria ter acontecido o apocalipse nuclear. – Cuidado, possível spoiler até o final do parágrafo - Lá, a Skynet ainda não foi ativada e John Connor é o novo vilão. Tudo isso está nos trailers, nos clipes, nos pôsteres – ou seja, a única reviravolta realmente interessante da trama já havia sido divulgada meses antes – não sobra muito como surpreender, claro.

    + Entenda a cronologia da franquia

    Entretanto, a divulgação desse spoiler pela própria distribuidora não é o único motivo do filme perder fôlego. A trama se atrapalha sozinha, fica confusa, abusa dos clichês e as motivações dos personagens não mais fazem sentido. Diferente de X-Men: Dias De Um Futuro Esquecido, T5 não consegue segurar a onda com acontecimentos em diversas realidades. Para piorar, as cenas de ação não mantém a atenção da audiência, não que sejam mal feitas (pelo contrário), mas vivem de repetições de cenas clássicas da franquia (cansei de ver robôs saindo do meio do fogo) e nem de longe causam o impacto dos primeiros dois filmes.

    Além disso, tanto a construção de personagens quanto as atuações são problemáticas. Clarke (Sarah Connor) e Jai Courtney (Kyle Reese) têm a difícil tarefa de encarar papeis imortalizados por outros atores. Courtney é o mais prejudicado, afinal ele nunca parece confortável no papel, não que Clarke convença totalmente no papel que mistura a Sarah de 1984, com a guerreira imortalizada por Linda Hamilton em T2.

    J.K. Simmons, apesar de talentoso, tem um papel ingrato como detetive atrapalhado que acredita que Sarah e Kyle vieram do passado. É uma pena ver seu talento desperdiçado. Jason Clarke funciona como John Connor e até têm boas cenas com Kyle Reese – Cuidado, possível spoiler até o final do parágrafo. Só que as coisas ficam problemáticas quando ele se torna o vilão. Sua transformação nunca é explorada e John simplesmente parece outra pessoa completamente. Não existe nenhum tipo de conflito interno, nada, e isso é problema grave de roteiro.

    Para compensar tudo isso, Schwarzenegger está de volta e muito à vontade . Até sua aparência envelhecida é explicada de forma convincente (a pele é como a humana e envelhece, simples) e ele, basicamente, interpreta uma versão paternal parecida com a de T2, a diferença é que seu vínculo é com Sarah. Sim, é estranho vê-la chamando-o de Papi, mas esse não é, nem de longe, o maior problema, ainda mais quando o personagem é basicamente o mesmo. Mais importante ainda, Arnold ainda é o bom e velho Arnold.

    + Leia nossa entrevista exclusiva com Schwarzenegger

    No final das contas, o quinto Exterminador do Futuro tinha potencial, mas não consegue concretizá-lo. O longa tem boas ideias e trabalha bem a questão das realidades alternativas criadas com a viagem no tempo. O problema é que o exagero de referências aos filmes anteriores, roteiro bagunçado e falta de inovações técnicas, algo que sempre chamou a atenção na franquia, fazem dessa obra um apanhado de bons elementos que nunca são explorados como deveriam.

    Dito isso, é muito fácil se deixar levar pelo carisma de Schwarzenegger, boas cenas de ação e, consequentemente, se divertir. Só não entre no cinema com expectativa de que essa é a verdadeira sequência que T2 merecia, como o próprio James Cameron andou falando por aí recentemente, afinal os clássicos são infinitamente melhores e, mesmo décadas depois, ainda são mais originais e espantosos do que Gênesis jamais poderia almejar ser.



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