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    O FILHO DE DEUS

    Adaptação tem problemas em todos os aspectos
    Por Daniel Reininger
    14/04/2014

    O Filho de Deus é o típico filme bíblico feito para fieis. A ideia é mostrar de forma glorificada as ações e o sofrimento de Jesus, sem tentar uma nova visão dos textos do livro sagrado. Quem não é religioso deve ter dificuldades para aguentar as mais de duas horas de duração; mas, quem acredita piamente nas escrituras, quem sabe, será capaz de tirar algo positivo desta obra.

    Diferente de A Paixão De Cristo, o filme mostra todos os grandes eventos da vida de Jesus: nascimento, como começou a recrutar seguidores e sua morte, tudo da forma mais convencional possível. A crucificação é tratada com tom emotivo e muito menos impacto do que no filme de Mel Gibson. Ambas são violentas, claro, mas a principal diferença é que Jim Caviezel é um ator muito melhor do que Diogo Morgado.

    Dirigido pelo desconhecido Christopher Spence, o longa é a versão para o cinema da minissérie de televisão norte-americana A Bíblia (2013), exibida no History Channel e por aqui na Record. Apesar do grande sucesso do programa de TV, a adaptação não funciona por ser tediosa e didática. Todo mundo conhece a história e o mínimo que se esperava era algo inovador sobre o homem mais famoso do mundo.

    Diretores como Franco Zeffirelli e Martin Scorsese já dirigiram obras do gênero e souberam como deixar sua marca, seja pela polêmica ou pela capacidade de contar boas histórias. Aqui, o roteiro está cheio de furos, as atuações são fracas e faltam momentos empolgantes. Exemplo disso é o fato de a Tentação de Cristo, quando Jesus conversa com o Diabo no deserto, ter ficado de fora da narrativa, embora pudesse garantir momentos de tensão e reflexão que faltam em boa parte da fraca narrativa.

    Para piorar, os efeitos especiais são vergonhosos e cenas como a da ressurreição de Lázaro ou o caminhar sobre a água parecem saídos de filmes de baixo orçamento para TV. Além disso, o fato de O Filho de Deus apresentar Jesus com traços europeus e não como um típico indivíduo nascido no Oriente Médio, apenas reforça estereótipos e preconceitos básicos de nossa sociedade e atrapalha a já frágil produção.

    Totalmente dispensável, O Filho de Deus não passa de uma chance para os mais fieis reverem a jornada de Jesus no cinema - não é a toa que o longa estreia bem na páscoa. Além disso, é a época certa para atrair o público interessado no assunto, mesmo que apenas por curiosidade. A verdade é que vale muito mais alugar filmes antigos ou acompanhar aqueles que vão passar incansavelmente na TV no feriado.