cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    O GRANDE GATSBY (2013)

    Colorido artificial e boas atuações marcam adaptação
    Por Cristina Tavelin
    04/06/2013

    Se a vida fosse uma festa, provavelmente seria um grande baile de máscaras. F. Scott Fitzgerald sabia disso e retratou o que havia de podre por baixo do dourado glamour dos anos 20. A releitura cinematográfica de Baz Luhrmann para O Grande Gatsby se mostra pertinente para a nossa época. No final das contas, quase nada mudou nas relações humanas.

    O carro-chefe do longa, à primeira vista, é o forte apelo visual. Não poderíamos esperar menos de Luhrmann, conhecido pela direção de Moulin Rouge e Romeu + Julieta. Trazer o passado à tona revestido de cores é especialidade do diretor; e essa característica cai muito bem para o mundo artificial da trama de Fitzgerald.

    Entretanto, o excesso de preocupação estética que faz Gatsby chegar aos cinemas em 3D, excede até seu exagero iminente. Há uma série de cenas repetitivas mostrando panoramas de Nova York, chuva caindo, descidas vertiginosas sobre a cidade. Ou seja, vários clichês tentam justificar o recurso desnecessário.

    O filme ganha potência, de fato, com o ótimo elenco principal e a adaptação da trama na medida certa para o grande público, o qual visa atingir. Nick Carraway (Tobey Maguire), jovem aspirante a escritor, narra como conheceu o milionário Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio) ao seu psiquiatra completamente caricato.

    O enigmático dono da mansão vizinha de Carraway, que mal aparece em suas festas gigantescas, intriga o rapaz quando este conhece Nova York e vai trabalhar na bolsa de valores. Daisy Buchanan (Carey Mulligan), sua prima, e Tom (Joey Edgerton), marido dela, moram do outro lado da baía e adoram esbanjar dinheiro.

    A escolha de Leonardo DiCaprio para interpretar Jay Gatsby foi certeira. Há um diálogo entre a imagem de celebridade do ator e o personagem imerso em um mundo artificial. Carey Mulligan (Drive) também se sai muitíssimo bem como a transtornada Daisy, levando o espectador a um mar de dúvidas diante de sua ingenuidade e causando uma bela surpresa no final.

    Não é possível tecer julgamentos precisos acerca de nenhum personagem. O autocontrole quase hipócrita torna-se muito frágil diante de certas situações. A melhor passagem do filme se dá exatamente quando as máscaras caem durante uma discussão entre Gatsby, Daisy e Tom. Várias facetas ficam a mostra.

    Lana Del Rey e Florence and the Machine integram a trilha sonora pop, que funciona bem para o estilo proposto. Entretanto, a sonoridade incessante na primeira metade do filme faz algumas cenas perderem a intensidade. O longa alcança equilíbrio nesse quesito apenas na segunda parte, intercalando momentos mais silenciosos e densos. Pena manter-se visualmente tão perfeito, desalinhado do fluxo decadente para o qual caminha.

    O Grande Gatsby pode não ser inteiramente leal a todos os personagens e adjetivos da obra de Fitzgerald, mas consegue expressar de forma clara o vazio amargo de um mundo superficial por meio de diálogos e narrações muito bem escolhidas. Com final perturbador, o drama provoca vários insights nas entrelinhas. Claro, continua sendo um espetáculo de Hollywood. Mas, dentro do contexto do cinema de massa atual, faz muito sentido.