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    O GRANDE HERÓI

    Cenas de ação são ofuscadas por heroísmo exagerado
    Por Daniel Reininger
    20/03/2014

    Em O Grande Herói, Peter Berg (Battleship - A Batalha Dos Mares) tenta levar o espectador para dentro da vida de homens e mulheres que se arriscam na linha de frente. Baseado nos eventos da operação Red Wings, o filme é visceral e cada tiro tem efeito máximo na tela para deixar clara a coragem desses "heróis". Essa glamorização da guerra e da vida militar é o principal problema do longa estrelado por Mark Wahlberg.

    O diretor faz questão de transformar os Navy SEALs em mártires e modelos de conduta a serem seguidos. Durante o combate, tornam-se símbolos máximos de fraternidade, perseverança e senso de dever, mas deixam de lado as emoções e atitudes de pessoas reais. A produção pode ser baseada em fatos, porém, a forma como o heroísmo é apresentado é tão fantasiosa quanto os filmes de ação dos anos 80.

    A trama se passa em junho de 2005, quando quatro SEALs são designados para capturar ou matar o líder talibã Ahmad Shah. No acampamento, Mike Murphy (Taylor Kitsch), Marcus Luttrell (Wahlberg), Danny Dietz (Emile Hirsch) e Matt Axelson (Ben Foster) são grandes amigos e homens de família que desejam apenas fazer seu trabalho e voltar para casa. Em um dia comum, o quarteto bem treinado é mandado para o campo de batalha furtivamente, mas as coisas fogem do controle quando são descobertos por um pastor e dois meninos.

    A situação é crítica e, sem comunicação com a base, precisam decidir se irão deixá-los ir e comprometer a missão, amarrá-los e os impor morte lenta, ou eliminá-los e continuar em frente. Cada soldado tem uma opinião. Alguns querem seguir adiante, afinal Shah é o responsável por assassinar 20 fuzileiros navais e precisa ser impedido, enquanto outros não querem se render ao "mal". 

    As cenas de ação são espetaculares e o clima lembra Falcão Negro Em Perigo. Os soldados são rasgados por balas e continuam em frente, seus rostos mostram o cansaço e a dor a cada passo. Quando os inimigos se aproximam, o quarteto precisa até pular de penhascos e, graças ao grande trabalho de câmera e dublês, as quedas parecem muito dolorosas.

    Conforme o tiroteio se desenrola, o americanismo exacerbado fica cada vez mais em evidência. Os soldados do Talibã parecem extremamente maus, ao contrário dos quase santificados SEALs. Os mortos caem em momentos de glória e saudação ao cumprimento do dever. Quando Wahlberg encontra afegãos contrários ao Talibã, a luta do bem contra o mal chega ao ápice e deixa as coisas piegas.

    O Grande Herói é um filme tecnicamente bem feito, mas incapaz de contar uma história humana e credível. Imagens reais dos Navy SEALs são alternadas com as reproduções cinematográficas para contextualizar a ação, mas têm pouca utilidade narrativa e servem apenas como tributo fútil aos mortos.

    O longa poderia ser muito melhor se deixasse o exagero heroico de lado; porém, é feito para ser visto pela geração de jovens acostumada a jogar Call of Duty - para os quais a guerra é apenas forma de glória e diversão.