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    O GRINCH

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Sim, ainda se fazem bons filmes de Natal como antigamente. E O Grinch é prova disso. Divertido, bem humorado, inteligente, emocionante, criativo, sarcástico e com uma produção de encher os olhos, O Grinch justifica com folga os - até agora - 172 milhões de dólares arrecadados nas bilheterias dos Estados Unidos.

    A história é baseada no livro infantil "How The Grinch Stole Christmas", de Theodore Seuss Geisel, que assina simplesmente Dr. Seuss. Tudo acontece dentro de um microscópico floco de neve, no reino da Quem-lândia, lugar onde todos têm verdadeira adoração pelas festas de Natal. Todos, menos a garotinha Cindy (Taylor Momsen) e o estranho Grinch (Jim Carrey), uma criatura feia e peluda que vive isolada no topo de uma montanha. Cindy simplesmente não consegue entender o motivo de todas aquelas luzes, presentes e - principalmente - de todo o consumismo que cerca as festividades. E o Grinch... bem, o Grinch tem uma história muito própria para contar durante o filme.

    Administrando um mega orçamento de 123 milhões de dólares, o diretor Ron Howard (o mesmo de Apollo 13) sabia muito bem que não poderia errar. Fazer um filme que interessasse apenas às crianças poderia lhe custar um sério prejuízo de bilheteria. Assim, o roteiro foi trabalhado por Jeffrey Price (também roteirista de Uma Cilada Para Roger Rabbitt) para que o filme divertisse consumidores de todas as idades. Foram acrescentadas aqui e ali algumas situações de humor adulto que não constavam no livro, além de momentos de sátira aos próprios clichês do cinema (impagável a cena onde o Grinch foge de uma explosão, no melhor estilo Duro de Matar).

    O resultado, por um lado, fez com que a Motion Pictures Association of America negasse ao filme o certificado de "censura livre", libertando apenas o chamado Parental Guidance, ou seja, criança pode, mas acompanhada dos pais. Por outro lado, o faturamento correspondeu às expectativas, e o filme já é - no momento - a quarta maior bilheteria americana do ano, perdendo apenas para Missão Impossível 2, Gladiador e Mar em Fúria. Em duas ou três semanas, tem potencial para alcançar o primeiro lugar.

    A direção de arte é um capítulo à parte. A Quem-lândia e seus habitantes formam um mundo mágico, cheio de formas inusitadas. São humanóides com cara de rato, automóveis "de verdade" com jeitão de brinquedo, casas assimétricas, penteados esquisitos, cores em profusão, numa espécie de mistura de Tim Burton com A Fantástica Fábrica de Chocolates. Tudo com a narração de Anthony Hopkins (nas poucas cópias legendadas) ou de Antônio Fagundes (nas cópias dubladas).

    Talvez no Brasil os números de bilheteria não sejam tão estrondosos, já que nem o livro original nem o próprio Dr. Seuss são conhecidos por aqui. Independente disso, porém, o filme merece ser conferido por crianças e adultos de todas as idades. Os menores vão curtir o visual e a hiper-atividade do personagem. Os maiores vão curtir a efervescência criativa. E os mais adultos vão ver - finalmente - um roteiro que critica o consumismo do Natal sem cair na pieguice.

    Leve a família.


    06 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br