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    O GRUPO BAADER MEINHOF

    <p>A&ccedil;&atilde;o na dose certa comp&otilde;e filme definitivo sobre terrorismo na Alemanha</p>
    Por Heitor Augusto
    13/07/2009

    Se você tem menos de 40 anos, é provável que nunca tenha ouvido falar, exceto em livros de História, da agitação política na Alemanha nos anos 60 e 70. Muito menos de um grupo de esquerda, o Baader Meinhof (também conhecido como Facção Exército Vermelho). Está na hora de conhecê-lo.

    Para tal, O Grupo Baader Meinhof, candidato alemão ao Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, pode ser considerado o filme definitivo sobre o grupo “formalmente” criado em 1970 e pulverizado nove anos depois.

    De uma organização cuja história é pontuada por tiros, discussões políticas, explosões e um desejo de impedir o marasmo que permitira, trinta anos antes, a ascensão de Hitler, espera-se um filme com ação. Mas o diretor Uli Edel (Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada e Prostituída) não transforma a história em uma vazia trama com perseguições alucinadas. Felizmente, investe em uma investigação psicológica de seus personagens, na análise política do pós-Segunda Guerra Mundial na Alemanha e nos acontecimentos mundiais dos anos 60.

    Dosa perfeitamente os dois elementos, movimento e reflexão, um filme de “ação cabeça”. Não é um tratado intelectual sobre a luta armada na Alemanha, porém passa longe do estereótipo de produções que não acrescentam nada (leia-se Trama Internacional).

    Entendemos o carisma de Andreas (Moritz Bleibtreu), a determinação de Gudrun (Johanna Wokalek), os conflitos de Ulrike (Martina Gedeck) e o sangue frio do chefe da polícia alemã (Bruno Ganz). Um elenco cujos nomes são difíceis de pronunciar, mas que é associado a bons filmes alemãos, como A Vida dos Outros (Martina), Aimée & Jaguar (Johanna), A Experiência (Moritz), A Queda – As Últimas Horas de Hitler (Bruno).

    Entre os quase 200 personagens de O Grupo Baader Meinhof, o mais interessante é Ulrike Meinhof. Ela é o elemento fundador do grupo e, simultaneamente, seu ponto mais fraco. Uma jornalista que percebeu que em momentos de cisão, a palavra não é suficiente. Sua mudança de postura é filmada como uma epifania, tão libertadora quanto o índio saltando da janela em Um Estranho no Ninho.

    Assistir a essa produção de Bernd Eichinger desperta em mim o desejo de ver um filme brasileiro de ficção sobre as organizações de esquerda brasileiras que atuaram na ditadura, como o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), ALN (Aliança Libertadora Nacional) ou a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

    Afinal, a exemplo de Ulrike Meinhof, temos jornalistas que deixaram as palavras e partiram para a ação, como Alípio Freire (da Ala Vermelha), Fernando Gabeira (MR-8), Luiz Eduardo Merlino (do POC) e até mesmo Frei Beto, que ao lado dos franciscanos apoiou a luta armada.

    Seria um ótimo complemento às cinebiografias (Lamarca), aos filmes de personagem (Cidadão Boilesen) ou a eventos (O que É Isso, Companheiro?, sobre o sequestro de Charles Elbrick). Alguém topa o desafio?