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    O GUARDA

    Por Roberto Guerra
    09/11/2011

    Vou precisar me esforçar um pouco para descrever O Guarda, comédia dirigida por John Michael McDonagh sobre um policial tão incomum, que "só pode ser muito, muito inteligente, ou então, muito, mais muito estúpido", como é descrito no filme pelo personagem de Don Cheadle, um agente do FBI que se vê obrigado a trabalhar com ele numa missão contra o tráfico internacional de drogas na Irlanda.

    Falar em comédia policial pode levar o leitor a imaginar os muitos filmes feitos no gênero e seus clichês. O Guarda, no entanto, consegue ser totalmente diferente de tudo ao explorar um humor sutil, sarcástico, por vezes politicamente incorreto, e nada convencional. Um filme centrado no personagem Gerry Boyle (Brendan Gleeson, ótimo), um policial preguiçoso, gordinho, e ruim no sentido de que parece não se esforça muito em seu trabalho. Mas é um bom homem que ama a sua mãe doente, Eileen (Fionnula Flanagan), e tem uma política de trabalhar quando necessário, nunca desperdiçando um dia de folga, mesmo que diante de uma emergência policial.

    A trama propriamente dita começa quando ele e seu assistente, o novo guarda Aidan McBride (Rory Keenan), se deparam com uma cena de assassinato, muito incomum na pequena cidade do interior da Irlanda. O crime parece ritualístico, coisa de serial killer, e aqui temos uma mostra divertida do humor que permeia o filme, com os dois agentes da lei fazendo elucubrações insólitas sobre o que poderia ter acontecido. Preservar a cena do crime para a perícia técnica é algo que Boyle parece não ter aprendido na academia de polícia.

    Logo em seguida, entra em cena o FBI, que corre atrás do rastro de quatro criminosos internacionais que pretendem realizar uma transação de cerca de meio bilhão de dólares em cocaína. O morto é um dos quatro homens. Com a chegada dos federais americanos, Boyle até que se empenha, mas não consegue disfarçar sua indiferença, racismo, preguiça e acomodação, o que dá vazão a um humor genuinamente inteligente e original.

    O Guarda é uma bem-vinda surpresa. Um filme que não estamos acostumados a ver por aí. E bem divertido, diga-se. Com elegância, transforma tudo quanto é sério em pura bobagem, mas sem ser ofensivo. Engraçado, despretensioso, inteligente, bem atuado, e com uma visão única sobre as duplas de policiais em conflito de personalidade, tema tantas vezes explorados no cinema. Altamente recomendado.