cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    O HOMEM DA MÁFIA

    Filme é repleto de estilo, tem boa atuação de Brad Pitt, mas com alguns erros consideráveis<br />
    Por Paulo Cintra
    29/11/2012

    Neste novo longa, Andrew Dominik não quis se arriscar e apostou em antiga parceria. O diretor escalou Brad Pitt como principal estrela, repetindo o feito de 2007 em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford.

    Investindo em um ritmo lento, que não se prende às tradicionais e, muitas vezes, excessivas trocas de tiro, o cineasta cria o cenário para uma boa crítica social. A escolha de uma Nova Orleans em reconstrução após o Furação Katrina não foi à toa - tudo pensado para ter alto teor político. Discursos dos presidentes George W. Bush e Barack Obama dão sentido às ações de diversos personagens e deixam mensagens implícitas por trás da trama principal.

    O roteiro gira em torno de um assalto a uma casa de jogo ilegal - um tanto quanto fantasiosa, afinal, onde já se viu um lugar repleto de dinheiro vivo não ter um mísero segurança? Dois garotos são contratados para realizar o roubo. A dupla é uma mistura de Debi e Loide com Trainspotting, ou seja, alguma imbecilidade e muitas drogas.

    Com estes dois na responsabilidade de manter toda a transação em segredo, era óbvio que em pouco tempo os mafiosos, verdadeiros donos da grana, viriam em busca de vingança. Para resolver a situação surge Jackie, personagem de Pitt, que tem entrada triunfal ao som de The Man Comes Around, de Johnny Cash.

    Na trilha sonora está o ponto alto do filme. Canções variadas, que vão do blues ao clássico, transformam uma simples cena de ação em algo grandioso, cheio de tensão. A boa música dá o tom a todos os assassinatos realizados por Pitt, que tem estilo suave de matar - como o título original do longa (Killing Them Softly) sugere -, ou seja, sem se relacionar afetivamente ou se aproximar demais das vítimas.

    Apesar da boa montagem, a produção perde bastante o fôlego em sua segunda metade e os diálogos, repletos de cinismo, se tornam forçados. Tudo culpa da tentativa malsucedida de aprofundar-se na crise econômica americana, sem deixar de lado certas frases feitas. A antes elogiável crítica social deixa a desejar e fica deslocada.

    O elenco secundário, mesmo repleto de nomes interessantes, é mal aproveitado. James Gandolfini, impossível não associá-lo à série de televisão Família Soprano, tem sua saída da trama bastante subjetiva e aberta à diversas interpretações. Em uma das cenas em que divide as atenções com Pitt existe um erro básico de continuidade, que deve irritar o espectador mais atento. Copos de cervejas aparecem e somem da mesa de bar a cada corte de câmera.

    Estas derrapadas desagradam, bem como o final abrupto que destoa totalmente do ritmo imposto até então. No entanto, as cenas de homicídio têm certo glamour e, aliadas à atuação consistente de Brad Pitt, dão toque interessante à produção.