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    O HOMEM INVISÍVEL

    Por Daniel Reininger
    27/02/2020

    Na mais nova versão da Universal sobre o icônico O Homem Invisível, o foco é o terror do abuso doméstico, com tom de suspense. O longa explora os temas do romance clássico com toque contemporâneo afiado, capaz de modernizar a história de H.G. Wells sobre a arrogância e obsessão do ser humano.

    Ambientada na cidade de São Francisco, o longa acompanha Cecilia (Elisabeth Moss) em sua fuga do violento e cruel namorado Adrian (Oliver Jackson-Cohen), um bilionário da tecnologia controlador e sociopata. A saída de Cecilia de casa é tensa e estressante e, sem dizer muito, deixa claro que essa personagem vive uma vida absolutamente opressiva.

    Moss segura o filme praticamente sozinha no papel da angustiada Cecilia. Ela passa boa parte da história tentando lidar com trauma do relacionamento com Adrian e convence como mulher traumatizada. A personagem, apesar de cativante, acaba pouco explorada e sua história não se aprofunda além de uma história de sobrevivência. Não atrapalha a temática inicial, mas um personagem tão rico e uma atriz tão incrível mereciam um desenvolvimento muito além do visto aqui.

    E, embora mal apareça, Jackson-Cohen funciona como o bilionário bonitão e sociopata que não aceita perder tudo o que deseja controlar. O resto do elenco funciona bem com Aldis Hodge como James, amigo que ajuda Cecilia, e Storm Reid como sua filha Sydney, capaz de fazer um personagem realista. Ambos são ótimos e você realmente se importa com eles a ponto de não querer que nada de mal aconteça aos dois.

    O Homem Invisível traz uma ambientação fria, cinzenta e tudo no filme é feito para reforçar a ansiedade e tensão. O desconforto beira o exagero em certos momentos, mas é absolutamente apropriado para um filme de terror que trata sobre aspectos tão sombrios e pesados. Até por isso, o monstro se torna ainda mais assustador, porque você sabe que seria possível uma pessoa real decidir atormentar outra simplesmente por maldade ou incapacidade de empatia.

    O "monstro" funciona de forma interessante e o longa gera no espectador a vontade de olhar os cantos à procura de algo fora do padrão, exatamente como acontece em filmes como Atividade Paranormal. Só não fica claro como o personagem é tão silencioso, mas é possível afirmar que faz parte do mesmo motivo dele ser invisível.

    Visualmente, tudo funciona bem. Desde os cenários, até as interações do homem invisível com Cecilia, com outros personagens e até com o ambiente. A trilha ajuda a criar tensão, mas a forma como a trama evolui devagar pode cansar algumas pessoas, mas essa construção de narrativa, aliada à atmosfera, visual e som, é importante para o longa funcionar e ir além do típico longa genérico de suspense.

    Ver Cecilia perder a noção da realidade e afastar todos ao seu redor é difícil e por isso o longa se torna inquietante. Embora essa nova versão do clássico monstro da Universal possa não ser para todos os públicos, exatamente pelo incômodo causado, a forma como aborda abuso e narcisismo faz dele algo marcante. As performances sólidas, excelente design de produção e ótimas cenas de ação fazem de O Homem Invisível um concorrente de peso para ser escolhido como o melhor filme de terror do ano e faz isso sem precisar apelar para a nostalgia.