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    O HOMEM MAIS PROCURADO

    Inteligente adaptação critica forma de combate ao terrorismo
    Por Daniel Reininger
    06/10/2014

    A mais recente adaptação de John le Carré, autor de O Espião Que Sabia Demais, é marcada pela paranóia. O Homem Mais Procurado envolve seus personagens em camadas de mistério e nada, nunca, é o que parece. O cineasta Anton Corbijn recria o mundo caótico dos agentes secretos sem o menor glamour e cada detalhe é muito bem pensado. O resultado é um interessante filme sobre espionagem, cuja critica recai sobre a atual forma de lutar contra o terrorismo mundial encabeçada pelos EUA.

    Philip Seymour Hoffman está no centro do jogo de gato e rato, como espião alemão Günther Bachmann, responsável por impedir ameaças antes mesmo de elas se concretizarem. Quando Issa, rapaz meio checheno, meio russo, chega de forma clandestina a Hamburgo, Alemanha, a inteligência antiterrorista pega seu rastro imediatamente. Logo, agências de todo o mundo se interessam, inclusive dos Estados Unidos, e todos começam a se meter para tentar impedir conspirações terroristas.

    Enquanto autoridades alemãs pressionam a captura de Issa, Günther decide investigar melhor em busca de outros envolvidos. Enquanto isso, Annabel Richter (Rachel McAdams), advogada de direitos humanos, tenta garantir a liberdade do rapaz. Jogos de interesses começam a se mostrar desafios muito maiores do que a busca pela verdade sobre a intenção do rapaz. O inimigo deixa de ser o suposto terrorista e passa a ser o sistema. Agência e governos apresentam reações histéricas pelo simples fato do rapaz suspeito estar no ocidente. Logo, não importa se ele é ou não culpado, a forma como as autoridades lidam com a situação parece nem considerar essa informação de fato.

    Ao contrário de outro de Corbijn sobre espionagem, Um Homem Misterioso, estrelado por George Clooney, O Homem Mais Procurado é pesado e frio. Não existem cenas de tortura, nem violência, ao menos nada gráfico, entretanto o clima de paranoia domina a película e a traição parece poder vir de qualquer lado a qualquer segundo. O filme consegue mostrar como espionagem é um trabalho complexo e cheio de nuances, no qual pequenas atitudes podem ter consequências desastrosas nas vidas dos envolvidos.

    Esse cenário é ideal para vermos Hoffman no ápice como ator. Embora o sotaque alemão atrapalhe atores como McAdams e fazem até mesmo o experiente Willen Dafoe escorregar, é oportunidade para o falecido veterano mostrar sua qualidade impressionante. Com aparência cansada, ele sempre mantém voz baixa, calma como alguém acostumado a viver nas sombras. O restante do elenco, se não ajuda, ao menos não compromete. O destaque fica por conta de Robin Wright no papel de agente da CIA. Dito isso, a obra sempre é melhor quando a câmera está focada em Hoffman.

    O Homem Mais Procurado é uma adaptação inteligente sobre o cenário internacional pós 11 de setembro. Expõe de forma clara e, às vezes, dura os pecados cometidos em nome da segurança nacional. O longa não tem grandes sequências de ação, mas mantém o espectador tenso enquanto intrigas se desenrolam. Com pesado tom político, deixa claro como a moralidade dessas agências é algo mutável, capaz de se adaptar a qualquer situação em nome da luta contra o terrorismo.