O Homem Mais Procurado

O HOMEM MAIS PROCURADO

(A Most Wanted Man)

2013 , 122 MIN.

12 anos

Gênero: Suspense

Estréia: 09/10/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Anton Corbijn

    Equipe técnica

    Roteiro: Andrew Bovell, John le Carré, Stephen Cornwell

    Produção: Andrea Calderwood, Gail Egan, Helge Sasse, Malte Grunert, Simon Cornewell, Solveig Fina, Stephen Cornwell

    Fotografia: Benoît Delhomme

    Trilha Sonora: Herbert Grönemeyer

    Estúdio: Amusement Park Films, Demarest Films, Film4, Potboiler Productions, The Ink Factory

    Montador: Claire Simpson

    Distribuidora: Diamond Films

    Elenco

    Bernhard Schütz, Daniel Brühl, Derya Alabora, Franz Hartwig, Georg Ebinal, Herbert Grönemeyer, Kostja Ullmann, Martin Wuttke, Neil Malik Abdullah, Nina Hoss, Philip Seymour Hoffman, Rachel McAdams, Rainer Bock, René Lay, Robin Wright, Tamer Yigit, Vedat Erincin, Vicky Krieps, Willem Dafoe

  • Crítica

    06/10/2014 17h07

    Por Daniel Reininger

    A mais recente adaptação de John le Carré, autor de O Espião Que Sabia Demais, é marcada pela paranóia. O Homem Mais Procurado envolve seus personagens em camadas de mistério e nada, nunca, é o que parece. O cineasta Anton Corbijn recria o mundo caótico dos agentes secretos sem o menor glamour e cada detalhe é muito bem pensado. O resultado é um interessante filme sobre espionagem, cuja critica recai sobre a atual forma de lutar contra o terrorismo mundial encabeçada pelos EUA.

    Philip Seymour Hoffman está no centro do jogo de gato e rato, como espião alemão Günther Bachmann, responsável por impedir ameaças antes mesmo de elas se concretizarem. Quando Issa, rapaz meio checheno, meio russo, chega de forma clandestina a Hamburgo, Alemanha, a inteligência antiterrorista pega seu rastro imediatamente. Logo, agências de todo o mundo se interessam, inclusive dos Estados Unidos, e todos começam a se meter para tentar impedir conspirações terroristas.

    Enquanto autoridades alemãs pressionam a captura de Issa, Günther decide investigar melhor em busca de outros envolvidos. Enquanto isso, Annabel Richter (Rachel McAdams), advogada de direitos humanos, tenta garantir a liberdade do rapaz. Jogos de interesses começam a se mostrar desafios muito maiores do que a busca pela verdade sobre a intenção do rapaz. O inimigo deixa de ser o suposto terrorista e passa a ser o sistema. Agência e governos apresentam reações histéricas pelo simples fato do rapaz suspeito estar no ocidente. Logo, não importa se ele é ou não culpado, a forma como as autoridades lidam com a situação parece nem considerar essa informação de fato.

    Ao contrário de outro de Corbijn sobre espionagem, Um Homem Misterioso, estrelado por George Clooney, O Homem Mais Procurado é pesado e frio. Não existem cenas de tortura, nem violência, ao menos nada gráfico, entretanto o clima de paranoia domina a película e a traição parece poder vir de qualquer lado a qualquer segundo. O filme consegue mostrar como espionagem é um trabalho complexo e cheio de nuances, no qual pequenas atitudes podem ter consequências desastrosas nas vidas dos envolvidos.

    Esse cenário é ideal para vermos Hoffman no ápice como ator. Embora o sotaque alemão atrapalhe atores como McAdams e fazem até mesmo o experiente Willen Dafoe escorregar, é oportunidade para o falecido veterano mostrar sua qualidade impressionante. Com aparência cansada, ele sempre mantém voz baixa, calma como alguém acostumado a viver nas sombras. O restante do elenco, se não ajuda, ao menos não compromete. O destaque fica por conta de Robin Wright no papel de agente da CIA. Dito isso, a obra sempre é melhor quando a câmera está focada em Hoffman.

    O Homem Mais Procurado é uma adaptação inteligente sobre o cenário internacional pós 11 de setembro. Expõe de forma clara e, às vezes, dura os pecados cometidos em nome da segurança nacional. O longa não tem grandes sequências de ação, mas mantém o espectador tenso enquanto intrigas se desenrolam. Com pesado tom político, deixa claro como a moralidade dessas agências é algo mutável, capaz de se adaptar a qualquer situação em nome da luta contra o terrorismo.



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