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    O HOMEM NAS TREVAS

    Stephen Lang rouba a cena com um papel quase sem falas
    Por Daniel Reininger
    06/09/2016

    O Homem Nas Trevas dá a ideia de algo sobrenatural, porém, o título original, Don't Breath (Não Respire em tradução livre), tem muito mais a ver com essa produção de suspense. A ideia aqui é mostrar três jovens ladrões em uma situação complicada ao ficarem presos na casa de um ex-militar cego e perceberem que o roubo, que deveria ser fácil, se tornou, na verdade, uma luta por suas vidas.

    Inteligentemente ambientado em Detroit, Michigan, uma cidade norte-americana repleta de bairros fantasmas após o colapso da indústria automobilística local, o filme de Fede Alvarez é tenso, cheio de surpresas e reviravoltas. A produção ainda conta com alguns momentos muito bem construídos, principalmente quando explora o visual apocalíptico da vizinhança e o aspecto sinistro da sombria casa do homem cego (Stephen Lang).

    A trama acompanha Rocky (Jane Levy), Money (Daniel Zovatto) e Alex (Dylan Minnette), três jovens com planos de abandonar suas vidas na cidade condenada e se mudar para a Califórnia. Quando recebem uma dica sobre uma casa no meio de um bairro abandonado, habitada por um cego que guarda grandes quantias de dinheiro no local, não resistem e decidem que esse roubo os levará até seu sonho.

    Quando fica claro que a casa é muito mais fortificada do que esperavam e o cego tem muito mais habilidade e capacidade de se defender do que imaginavam, uma série de péssimas decisões os leva a consequências terríveis e violentas. Mérito do diretor de não cair no clichê de focar demais na tortura, como Jogos Mortais, O Albergue e tantos outros.

    Alvarez deixa a câmera deslizar pela casa reforçando a esquisitice do lugar, sem perder o foco nos personagens. Uma das melhores cenas acontece no porão escuro, onde Rocky e Alex precisam tatear por prateleiras para tentar achar seu caminho através da escuridão enquanto tentam não atrair a atenção do homem cego, cuja audição aguçada lhe concede uma bela vantagem.

    Além de criar tensão e medo muito bem, o longa ainda consegue retratar todos os personagens de forma realista, sem criar heróis, vilões, vítimas, assassinos. A forma como a trama brinca com isso é bem interessante, sempre fazendo a simpatia do público navegar entre os diversos personagens, especialmente quando segredos sombrios são revelados. Dito isso, Alex acaba funcionando como protagonista e, ao menos, tenta ser a voz da razão diante da situação caótica.

    O Homem nas Trevas ainda tem outro trunfo: a forma como Stephen Lang rouba a cena com um papel quase sem falas. É claro que o longa tem problemas, saídas fáceis para situações complicadas, alguns absurdos narrativos para justificar a forma como as coisas evoluem e, claro, alguns clichês, mas a trama simples tem mérito ao ser capaz de explorar diversos medos e criar tensão do começo ao fim.