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    O HOMEM URSO

    Por Adriana Terra
    22/05/2009

    Durante 13 verões consecutivos, o ativista Timothy Treadwell estudou os ursos do Parque Nacional e Reserva Katmai, uma área de preservação no Alasca. Mas, mais que ter ido até a região e convivido com gigantes e ferozes ursos, Treadwell filmou os animais. E é a partir desse material - cerca de 100 horas de imagens - que Werner Herzog monta o documentário O Homem Urso, cujo título original, Grizzly Man, faz referência à espécie de ursos em questão, os grizzly, ou pardos.

    Dois filmes acontecem na tela ao mesmo tempo. Um é o construído por Herzog, que conduz de forma didática e emocionante as imagens captadas pelo ativista, além de reunir entrevistas com amigos, namoradas e familiares de Treadwell - morto em 2003 por um urso velho em uma de suas viagens ao Alasca. O outro é o filmado pelo ecologista, com sua beleza própria e imagens raras. Afinal, quem conseguiria cenas tão naturais e próximas desses animais, como uma luta feroz pelo amor de uma fêmea da espécie, em que um dos combatentes elimina excrementos compatíveis a seu tamanho entre um golpe e outro?

    Treadwell tratava os ursos como bebês, dizendo "eu te amo" o tempo todo e fazendo brincadeiras para acalmá-los. Desafiava as leis da reserva e ficava muito próximo aos animais, dando a eles nomes carinhosos. Levou, mais de uma vez, amigas ao local - morreu, inclusive, junto a Amie Huguenard, sua namorada.

    Conforme o documentário vai trazendo mais informações sobre Timothy Treadwell, um sentimento de dúvida pode ocorrer. É que o ativista não é exatamente o tipo de pessoa comum, mais um estudioso cujo objetivo era apenas proteger os ursos. As entrevistas vão demonstrando que as viagens ao Alasca tratavam mais de uma busca pessoal do sujeito do que de um trabalho; é uma vontade de se distanciar dos humanos e transformar-se num daqueles animais assustadores e, ao mesmo tempo, amáveis. A partir dessa conclusão, O Homem Urso torna-se um documentário dramático. Um policial diz achar que Treadwell não foi morto anteriormente porque os ursos deveriam pensar tratar-se de um "retardado mental". Já o presidente do Museu do Parque Nacional e Reserva Katmai diz não saber se o que o ecologista fez foi bom aos animais, pois "acostumou-os aos seres humanos".

    Mas, independente do quanto Treadwell tinha razão nesse projeto de vida, uma questão ambígua que cabe ao espectador avaliar, O Homem Urso merece destaque pelo material coletado pelo ativista, que provou ser um cineasta mesmo sem ter completa consciência do que estava fazendo.