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    O INVASOR

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Prepare-se para mergulhar no submundo da criminalidade paulistana. Depois de Os Matadores e Ação Entre Amigos, o cineasta Beto Brant retorna às telas com mais um forte trabalho sobre traição e marginalidade: O Invasor, prêmio de Melhor Filme Latino-americano no Sundance Festival.

    Com narrativa crua e de poucas concessões comerciais, Brant conta a história – até certo ponto simples - de dois amigos, sócios de uma construtora, que contratam um assassino profissional para eliminar um terceiro sócio. Sob forte tensão, o crime é cometido, mas não sem sérias conseqüências para os seus mandantes: o criminoso contratado passa a freqüentar constantemente a construtora, em busca de novos “pagamentos”.

    A forma de O Invasor é mais arrebatadora que seu conteúdo. Câmara na mão, linguagem nervosa, tensão constante e excelentes interpretações fazem o espectador grudar na poltrona. Propositalmente, a música incomoda. O filme incomoda. E, principalmente, a realidade que ele retrata beira o insuportável.

    A ironia social também está presente em O Invasor. Ao se apaixonar pela filha do homem que matou, o marginal busca a própria ascensão financeira. Entre a rica herdeira solitária e o frio assassino profissional brota o inevitável ponto em comum: as drogas. Se o abismo social está cada vez mais profundo, o mesmo não se pode dizer da proximidade dos hábitos de cada classe. Mas tudo tem limite: ao invasor, é vetada a transposição das cercas da pirâmide social.

    A performance do ex-Titã Paulo Mikos no papel do incômodo invasor chega a ser impressionante: quem não o conhece pode até acreditar que ele seja um criminoso de verdade. Beto Brant se assessorou de freqüentadores do submundo para a pesquisa das gírias e maneirismos quem compõem seus personagens. E obteve ótimos resultados.
    O filme vai na contramão do entretenimento fácil, com um final que subverte os padrões estéticos que acostumamos ver nos maniqueístas policiais americanos. De uma forma ou de outra, somos todos mocinhos e somos todos bandidos no bangue-bangue da criminalidade urbana brasileira.

    3 de abril de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br