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    O IRLANDÊS

    Por Daniel Reininger
    13/11/2019
    7/10

    O IRLANDÊS

    16
    Suspense

    Scorsese não tinha feito um filme de gângster desde que ganhou o Oscar de Melhor Filme por Os Infiltrados, em 2006. Talvez, por isso, ele deu tanta atenção aos detalhes em O Irlandês, obra criada para a Netflix. E ele entrega um longa introspectivo e até mesmo melancólico para a abordar o tema da moralidade humana. Tanto que um dos momentos marcantes do filme é quando a filha do protagonista, interpretada por Anna Paquin, pergunta perto do final: "Por quê?".

    A personagem mal fala durante a obra, mas diz muito com olhares. E essa simples pergunta, no momento em que é feita, tem um peso enorme. Essa personagem é um vislumbre de consciência em um mundo sem lei e seu peso está exatamente em sua falta de ação.

    O roteiro de Steven Zaillian (Gangues De Nova York) abrange décadas da vida de Frank "O Irlandês" Sheeran ( Robert De Niro), da década de 1950 até o início dos anos 2000. Ele trabalhou para o chefe da máfia da Pensilvânia, Russell Bufalino (Joe Pesci), e, eventualmente, para o líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino).

    A narrativa procura focar no desenvolvimento dos personagens e são poucos os conflitos iniciais, enquanto vemos a relação de Frank e seus dois chefes evoluir. Entretanto, aos poucos, começa a deterioração do relacionamento do protagonista com sua família e também a situação entre os seus chefões e amigos, levando a encruzilhadas interessantes.

    Muito se falou sobre o rejuvenescimento digital de De Niro, Pesci e Pacino e, de fato, leva um tempo para acostumar, mas nunca é tão esquisito quanto nos filmes da Marvel e nem bizarro como a reconstrução Peter Cushing em Rogue One: Uma História Star Wars. Na verdade, as atuações são mais importantes do que a tecnologia e isso fica claro do começo ao fim.

    Com atuações incríveis, o elenco é o grande motivo de ver essa obra. Al Pacino incendeia o filme em diversos momentos com personalidade impactante. E Pesci é a presença calma, porém amedrontadora, aquele tipo de gângster importante que ninguém quer enfrentar. Mas esse é mesmo um filme de De Niro e o personagem é o cérebro e o coração dessa trama e o ator está inspirado.

    A duração de 3h30 pedia um intervalo, afinal o cansaço contribui para o quanto o espectador vai gostar ou não do filme. Já para o streaming, não deve influenciar tanto. Independente disso, a verdade é que a edição poderia ter tido um maior desapego, afinal muitas cenas são repetidas ou desnecessárias.

    Sem se arriscar, Scorsese fez um filme reflexivo, mas capaz de divertir como seus clássicos e ainda aprofundar questões humanas relevantes. O cineasta navega por temas e situações que conhece bem e cria uma obra coesa e de muita qualidade, mas cansativa para ser assistida no cinema.