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    O JUIZ

    Atuações de Downey Jr. e Duvall dão brilho a filme mediano
    Por Daniel Reininger
    15/10/2014

    Robert Downey Jr. mistura o jeito confiante de Tony Stark com a rebeldia e esperteza de Sherlock Holmes para interpretar o advogado Hank Palmer em O Juiz. Ele é o fio condutor desse longa que, apesar do nome, é um drama sobre o relacionamento entre pai (Robert Duvall) e filho obrigados a se aproximarem após o patriarca ser acusado de assassinato.

    Misturando momentos de comédia, que nem sempre funcionam, e dramalhão, o longa acompanha a visita de Hank à cidade onde nasceu para o velório da mãe. Após passar dias conturbados com a família, descobre que seu pai, juiz da cidade, é suspeito da morte de Mark Blackwell, assassino condenado e um dos maiores erros da carreira do veterano. Percebendo a situação complicada de seu pai, o advogado decide colocar de lado as diferenças com a família e tentar livrá-lo da cadeia.

    Tudo em O Juiz é feito para arrancar lágrimas do espectador. O roteiro possui forte carga emocional e os diálogos pesados se alternam com atuações melancólicas. Janusz Kaminski, diretor de fotografia conhecido pelos trabalhos com Steven Spielberg, reforça os momentos de tensão com sombras, raios de luz posicionados cuidadosamente e ângulos dramáticos, em conjunto com a trilha sonora exagerada de Thomas Newman.

    A tentativa de recriar a sutileza de filmes como Nebraska, que alternam drama e comédia com simplicidade, falha. Com isso, as piadas pontuais, puxadas principalmente por Downey Jr., quebram o clima e parecem deslocadas. O longa só funciona mesmo quando evita forçar a barra para fazer rir ou chorar, momentos de sobriedade existentes apenas no tribunal. Não é à toa que o longa fica mais interessante na hora do julgamento.

    Billy Bob Thornton eleva o nível da produção como promotor determinado a mandar o juiz do título para a cadeia. A disputa com Downey Jr. esquenta as coisas e garante empolgação a cada boa jogada da acusação ou da defesa. O suspense cresce a cada nova descoberta sobre o crime, com questões éticas e particulares vindo à tona de forma interessante.

    É triste que esses momentos não tenham maior destaque na obra, especialmente quando a subtrama de Hank e sua antiga paixão do colégio, Samantha (Vera Farmiga), rouba tempo da produção em cenas sem propósito que poderiam ter sido excluídas por completo. As coisas saem dos trilhos de vez com a suspeita de incesto, que teria sido cometido sem o conhecimento dos envolvidos, entre a filha da moça e o protagonista. Essa dúvida paira sobre Hank por muito tempo, sem grandes consequências reais, mas é a conclusão dessa questão que mais irrita.

    A verdade é que O Juiz não tenta inovar. Usa, sem vergonha, elementos bem comuns do cinema para contar sua história da forma mais direta possível. Faz isso de forma competente, mas comete pecados ao exagerar nas subtramas que passam sensação de inchaço e adicionam pouco de fato à narrativa. Por isso é justo dizer que são as atuações que conquistam o espectador. Não é surpresa o fato de Downey Jr. e Duvall levarem o filme praticamente nos ombros sozinhos.