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    O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM

    Drama israelense é corajoso ao discutir o machismo
    Por Pedro Tritto
    20/08/2015

    Em Israel, de acordo com algumas leis religiosas, só é possível se divorciar quando há o consentimento do marido. Caso contrário, é necessário que o casal passe por uma audiência para ver se as duas partes entram em algum acordo. E é aí que O Julgamento De Viviane Amsalem se torna um bom drama. O filme o tempo inteiro se mostra corajoso ao criticar fortemente o conservadorismo e o machismo que cercam as religiões em geral.

    O longa já começa na primeira audiência de divórcio de Viviane e Elisha e logo no início percebemos que aquelas imensas salas de tribunais, muitas vezes usadas em diversos filmes hollywoodianos de julgamento, dá lugar a uma simples sala com apenas os envolvidos do caso e totalmente sem glamour. E isso é interessante, pois mostra que a ideia dos diretores Ronit e Shlomi Elkabetz não é causar grandes alardes e sim encontrar a melhor solução para Viviane e Elisha.

    Ao longo da trama, fica evidente para o espectador que a protagonista não sente mais amor pelo seu companheiro e é nesse ponto que a dupla de cineastas resolve criticar fortemente o conservadorismo e o machismo. Isso fica evidente na figura dos juízes, que se posicionam de maneira firme o tempo inteiro e classificam os motivos apresentados por Viviane, de querer sair de casa, como irrelevantes.

    Para eles, se o marido não bate na esposa e fornece todos os bens materiais necessários para a vida do casal, não há razão para a moça pedir o divórcio. E esse vira o verdadeiro objetivo da personagem central: convencer a todos, principalmente as autoridades, que não há mais condições de viver ao lado do marido.

    Também é interessante perceber que a história é conduzida sem se tornar maniqueísta. Em nenhum momento pensamos que Viviane é uma mulher frágil ou uma pobre vítima. Pelo contrário. Vemos nela uma mulher decidida e disposta a esperar o tempo que for necessário para conseguir o que quer (o processo chega a durar quatro anos).

    Os juízes também não são perversos. Eles apenas tentam seguir uma ideologia que os precede. O que pode incomodar o espectador nesse ponto específico é que não há o questionamento dessa ideologia. No entanto, essa é a verdadeira intenção dos Elkabets: expor ao público tudo o que cerca o conservadorismo religioso para depois as pessoas tirarem as próprias conclusões.

    Apesar de ser cansativo em algumas partes, O Julgamento de Viviane Amsalem se apresenta como uma boa obra humanista, que desperta o debate de assuntos delicados e pertinentes. Sua intenção não é tomar partido e, sim, apenas discutir as regras religiosas e o conservadorismo como um todo. E isso o filme faz muito bem.