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    O LOBISOMEM (2009)

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    Por Celso Sabadin
    12/02/2010

    Um pouco de História sempre faz bem. Após a crise de 1929, quando o mundo financeiro ocidental entrou em colapso, a Universal Pictures buscou inspiração nos belos e perturbadores filmes de terror que o Expressionismo Alemão produzira no pós-I Guerra, requentou o gênero, e inaugurou o cinema de horror norte-americano, a reboque do alemão. São dela clássicos como “Drácula”, “A Múmia” e “Frankenstein”, histórias terríveis que alcançaram sintonia plena com uma plateia apavorada pelos efeitos da grande Crise. Os monstros fictícios da tela encontraram total ressonância nos monstros da vida real.

    Décadas depois, a mesma Universal se aproveita novamente dos tempos de crise e dá roupagem nova para o clássico O Lobisomen, que empresa já havia filmado em 1941. Basta lembrar de A Múmia (1999) e Van Helsing (2004) para perceber que esta não é a primeira vez que a Universal ressuscita seus monstros.

    Diferente de Drácula e Frankenstein, o Lobisomem não é um personagem nascido na literatura, mas sim no imaginário popular. O roteiro desta nova produção tem como ponto de partida o próprio filme de 1941, embora ambos sejam extremamente diferentes em suas propostas e concepções. Aqui, tudo começa quando o ator de teatro Lawrence Talbot (Benicio del Toro), que estava atuando em Nova York, é chamado às pressas de volta à sua Inglaterra natal. Motivo: seu irmão Ben foi brutalmente assassinado por algo que não se sabe exatamente o que é. Uma fera, um louco? Lá chegando, Lawrence se reencontra com o pai (Anthony Hopkins) e conhece a bela Gwen (Emily Blunt, do recente A Mente que Mente), inconsolável namorada do falecido irmão. Começa então a investigação para saber quem ou o quê teria destroçado Ben.

    Sem abandonar o registro de blockbuster, O Lobisomem consegue ser interessante tanto para o público que busca apenas uma boa história de horror, como também para quem procura algo a mais na telona do cinema.

    Percebe-se na história como o pânico do desconhecido provoca as mais diferentes reações, nos diferentes grupos. O limitado dono da taverna, por exemplo, representando o inconsciente coletivo popular, acha que tudo é sempre culpa dos ciganos. Ou dos “imigrantes ilegais”, numa leitura mais século 21. A conservadora Igreja atribui as mortes como sendo “o poder que Satã tem de transformar o homem em besta”. A Ciência busca a lógica extrema, e é ridicularizada (e brutalmente penalizada) por isso. E a polícia, na figura do investigador Abberline (Hugo Weaving) segue por um dos raciocínios mais bizarros, pressupondo que Lawrence seja o culpado pois ele, sendo um ator, tem o poder de encarnar as mais diversas personalidades.

    A verdade porém virá travestida de Psicologia, abordando a “herança maldita” de pai para filho, onde o filho terá de matar o pai - literal ou simbolicamente - para soltar as amarras de sua personalidade e se abrir para a Vida. Parecido com o que acontece com o mito do cavaleiro Lancelot, obrigado a matar a própria mãe.

    A sempre bem-vinda fina ironia britânica (o filme é uma co-produção entre ingleses e norte-americanos) também está presente em O Lobisomem, principalmente na figura sempre elegante de Anthony Hopkins, a quem foram destinados os melhores diálogos. Em alusão aos lobos, ele chama seu filho de “puppy” (filhote de cachorro), e ainda consegue inserir na sua fala um “to be or not to be”, lembrando sarcasticamente que Lawrence interpretara Hamlet no teatro.

    Nada disso, porém vai interessar aos que buscam em O Lobisomem apenas um bom entretenimento. Neste sentido, o filme também é bastante eficiente, desfilando uma exuberante fotografia de poucas luzes e tons escuros (afinal, estamos na Inglaterra vitoriana), uma direção de arte preciosa, e não decepcionando quem procura uma história de terror com bom ritmo de ação e uma pitada de suspense.
    Tudo sob o comando do diretor Joe Johnston (de Jumanji e Jurassic Park 3) e do veterano da maquiagem Rick Baker, vencedor do primeiro Oscar de Maquiagem com o filme - não por acaso - Um Lobisomem Americano em Londres, que John Landis dirigiu em 1981.