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    O LOBO DO DESERTO

    Candidato da Jordânia ao Oscar usa elementos dos faroestes
    Por Edu Fernandes
    17/02/2016

    Por mais que se problematize o modo de produção de Hollywood, suas fórmulas podem ser usadas para realizar filmes criativos em outros cantos do planeta. É o caso de O Lobo Do Deserto, indicado ao Oscar 2016, que usa estética e narrativa de faroeste em sua história.

    Saem de cena as pradarias do coração do continente norte-americano para dar lugar ao deserto no Oriente Médio. Esporas e chapéus de caubói são substituídos por turbantes. E camelos são as montarias no lugar dos cavalos. É nesse cenário, no qual a paisagem intensifica a sensação de isolamento dos personagens, que vemos o garoto Theeb (cujo nome significa "lobo") se tornar um homem no curso de poucos dias.

    No começo do filme, o protagonista é um garoto curioso e até inoportuno, cujos cuidados são responsabilidade de Hussein, seu irmão mais velho. Após a visita de um grupo que traz consigo um misterioso inglês, Hussein recebe a tarefa de guiá-los até um poço. Sem que ninguém perceba, o menino segue o bando no lombo de um jumento. É nessa viagem que ele passará por um processo intenso de amadurecimento, mas adiantar como isso acontece seria estragar a experiência de ver o filme.

    Essa parte introdutória e pueril é vagarosa e parece carecer de objetividade, mas o espectador que tiver paciência de superá-la será recompensado com situações intrigantes em série que prendem na poltrona. Depois do primeiro grande ponto de virada é que as coisas ficam realmente interessantes.

    Como nos faroestes, O Lobo do Deserto também é uma produção de época, que se passa no começo do século XX e tem como pano de fundo um contexto social de tensão entre os otomanos e os britânicos após a Primeira Guerra Mundial. No entanto, falta ao longa uma contextualização mais clara, nem que fossem usados os tradicionais textos sobre o panorama histórico antes do começo do filme em si. Cabe ao espectador colher pistas aqui e ali para posicionar o enredo cronologicamente.

    Essa falta não é tão grave porque o que mais aguça a curiosidade na produção não é o conteúdo histórico, mas o que há de universal. O estreante Jacir Eid Al-Hwietat dá conta do recado de levar o enredo adiante na pele de Theeb. O personagem demanda muita desenvoltura e traz um arco dramático intenso – um trabalho difícil até para intérpretes mais experientes. É muito pela performance do garoto, e da forma como não se pode tirar os olhos dele, que O Lobo do Deserto conseguiu conquistar a primeira indicação ao Oscar para uma realização da Jordânia.