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    O LUGAR ONDE TUDO TERMINA

    Obra reflexiva arrisca formato interessante, mas tem falhas
    Por Daniel Reininger
    18/06/2013

    O diretor Derek Cianfrance causou uma boa impressão com Namorados para Sempre e isso lhe deu confiança para ser ambicioso em O Lugar Onde Tudo Termina. O cineasta criou então uma obra complexa e sombria, porém, não conseguiu superar seu último trabalho. O drama sobre moralidade e culpa é dividido em três atos, cada um com seu protagonista, no entanto, é exatamente essa divisão que compromete o filme.

    Na primeira parte, Ryan Gosling é Luke, um motoqueiro que trabalha em um parque de diversões itinerante. Ao voltar a uma cidade que visitou um ano antes, descobre ser pai de uma criança. Ele decide abandonar o trabalho e conhecer seu filho, mas quando a grana aperta, ele se envolve com roubos de bancos. O personagem é praticamente o mesmo de Drive, um piloto habilidoso e perturbado que tenta fazer a coisa certa da maneira errada.

    O segundo ato é a história de Avery (Bradley Cooper), um policial que se torna herói do dia para a noite. Falar demais dessa parte poderia dar informações importantes da primeira e basta dizer que o personagem acaba envolvido com corrupção e política. O terceiro é sobre os filhos de Luke e Avery, dois jovens problemáticos que se conhecem no colegial e sofrem as consequências das escolhas dos pais.

    A troca de protagonista é uma jogada audaciosa que não compensa. O primeiro ato é, de longe, o melhor deles. A história é forte, o protagonista cativante e o mundo à sua volta está em colapso. As outras histórias são boas, porém não conseguem manter o mesmo ritmo e intensidade. Por sua vez, a trama focada no personagem de Cooper é a pior das três. Embora o personagem seja carismático, ele nunca parece ser uma pessoa real, devido a situações e escolhas improváveis.

    Cianfrance acertou no visual, o qual reforça a tristeza do roteiro com uma atmosfera sufocante, reforçada pela trilha sonora composta por Mike Patton, ex-vocalista do Faith no More. O tom visceral é garantido por detalhes como o vômito de Luke após o primeiro roubo ou a voz desesperada durante um assalto que não sai como esperado.

    Além dos protagonistas, o resto do elenco também está muito bem. Eva Mendes convence como Romina, a mãe do bebê de Luke, dividida entre um romance improvável e a segurança de seu atual relacionamento. No terceiro ato, é uma mãe assombrada pelo passado e por um filho drogado. Dane DeHaan também impressiona como Jason, filho de Luke, vítima de situações além de seu controle. Em alguns momentos, os personagens mantém o interesse do espectador mesmo após a trama cair no marasmo.

    O Lugar Onde Tudo Termina é uma obra reflexiva, que arrisca um formato interessante, mas é incapaz de tratar a transição entre as histórias com fluidez. O longa funcionaria melhor como uma trilogia, embora nesse caso a mensagem pretendida pelo diretor fosse diluída. O mérito de Cianfrance é nos fazer pensar sobre como nossas escolhas moldam o mundo em que vivemos, mesmo que nem sempre tenhamos controle sobre onde elas podem nos levar.