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    O MAIOR AMOR DO MUNDO

    Por Angélica Bito
    07/09/2006

    Cacá Diegues é um dos poucos diretores brasileiros que seguem ativos na produção cinematográfica há mais de 40 anos. Seu primeiro filme, Ganga Zumba, é de 1964. O Maior Amor do Mundo é seu 16º longa-metragem e marca não somente mais de quatro décadas de carreira, mas a volta de parcerias antigas, que marcaram o cinema do diretor, como José Wilker, que faz parte do elenco de um filme do cineasta alagoano pela quarta vez.

    Aqui, Wilker interpreta Antonio, astrofísico brasileiro que fez a carreira nos EUA e volta à sua terra natal para ser condecorado pelo governo. Mas esse não é o único motivo da viagem: com um tumor no cérebro, ele tem pouco tempo de vida. Ele decide, então, fazer as pazes com a infância nebulosa ao procurar o paradeiro de sua mãe biológica. Adotado desde bebê, foi criado por seus pais adotivos (Marco Ricca e Deborah Evelyn na fase jovem). Na medida em que acompanhamos essa jornada de Antonio pela periferia carioca em busca da mãe, conhecemos fatos sobre a conturbada infância do rapaz, atormentada pela figura austera e fria do pai.

    Os personagens O Maior Amor do Mundo são duros e frios. A chegada de Antonio na favela significa, para o personagem, uma nova janela para o mundo. Lá, ele encontra personagens quentes, totalmente diferentes dos que conheceu no passado, como o menino Mosca (Sergio Malheiros), a vidente Zezé (Lea Garcia) e Luciana (Taís Araújo), seu interesse romântico. Essa sensação que o protagonista o aproxima do maior amor do mundo do título, o da mãe que nunca conheceu.

    A ótima atuação de José Wilker ajuda bastante para que O Maior Amor do Mundo mostre-se marcante junto ao espectador. O fato dele viver um homem à beira da morte, numa jornada de descoberta de sentimentos, aproxima a produção com o maravilhoso Morte em Veneza (1971), guardadas as devidas proporções. As cenas nas quais Antonio caminha pelo lixão, cambaleante por causa da doença, me lembraram o compositor Gustave Aschenbach do filme de Luchino Visconti, caminhando por uma Veneza envolta pela peste.

    O Maior Amor do Mundo é um filme corajoso, no mínimo. Apesar de ter apelo popular por trazer astros conhecidos pela TV, a produção não tem medo das cenas de nudez, muito menos ameniza a propagação das drogas em meio à favela. Realista ao extremo, o filme de Diegues trabalha não somente com as emoções dos personagens, mas também do espectador. Tocante de uma maneira que chega a ser piegas em alguns momentos, o filme não consegue fugir de alguns clichês. No entanto, existe uma sinceridade nas intenções, a qual o espectador consegue sentir, e esse é um de seus maiores méritos.

    Em tempo: O Maior Amor do Mundo ganhou o principal prêmio no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, no Canadá.