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    O MAR NÃO ESTÁ PRÁ PEIXE

    Por Celso Sabadin
    19/01/2007

    Agora tudo mundo quer "tirar a sua casquinha". Depois que a Pixar, a Disney, a Fox, a DreamWorks e outras empresas provaram que o mercado de desenhos animados de longa-metragem pode ser uma verdadeira mina de ouro, novas produtoras começam a se arriscar na área. É o caso da sul-coreana Digiart e da norte americana Wonderworld, estreantes em longas, que uniram seus esforços para realizar O Mar Não Está Prá Peixe, animação em computação gráfica que consegue um espaço no nosso circuito comercial por conta das férias escolares.

    O filme padece do principal problema de várias outras produções do gênero: a falta de um bom roteiro. A qualidade da animação propriamente dita chega até a ser satisfatória, embora a alguns anos-luz da líder Pixar, por exemplo, mas eventuais problemas gráficos e estéticos seriam facilmente compensados por uma boa história a ser contada. E esta tal boa história não existe. Tudo começa quando Pê, um filhote de peixe, perde seus pais (num início que lembra muito a perda da mãe de Nemo em Procurando Nemo) e é obrigado a viajar para um lugar mais seguro, um recife livre de predadores humanos. É lá que ele se apaixona pela bela Cordélia, que, por sua vez, é cortejada (ou, digamos, sexualmente assediada) pelo malvado turbarão Troy. A exemplo de David e Golias, Pê desafia Troy para uma batalha de vida e morte. E terá de usar a inteligência para se sobrepor à força do vilão.

    Talvez o desenho funcione para crianças menores, graças ao seu bom ritmo e às suas cores fortes e vibrantes. Para os mais exigentes, porém, falta humor, há um excesso de personagens de pouca ou nenhuma função na história (os botos, o primo e a tia de Pê, por exemplo, parecem perdidos na trama) e praticamente nenhuma novidade em relação as outros três desenhos animados recentes ambientados no fundo do mar: Procurando Nemo, Mamãe Virei um Peixe e O Espanta Tubarões. Os três bem superiores a este.