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    O MESTRE DAS ARMAS

    Por Celso Sabadin
    16/02/2007

    Quem acompanha Cinema sabe como os filmes orientais vêm experimentando grande força e popularidade em todo o mundo, nos últimos anos. E isso acontece precisamente porque a cinematografia asiática vem trazendo nossas propostas, idéias e estilos. Ou seja, o cinema oriental está se fortalecendo justamente por ser... oriental.

    Porém, rodar um filme em Xangai, com temática chinesa e atores de olhos puxados não significa exatamente fazer cinema "oriental". É exatamente isso que acontece em O Mestre das Armas, um filme chinês, mas com um pé bastante fincado nas fórmulas e estéticas desgastadas da indústria hollywoodiana.

    Baseado em fatos reais acontecidos na China entre 1880 e 1910, O Mestre das Armas narra a saga heróica de Huo Yuanja (Jet Li), um lendário mestre de um tipo de arte marcial denominado Wushu. Quando criança, Huo não se conforma ao ver o próprio pai, também lutador, entregando uma luta que ele poderia facilmente ter vencido. Decepcionado, promete a si mesmo que jamais seria um perdedor e passa a se dedicar de corpo e alma às artes marciais. Ele procura obsessivamente o sucesso a qualquer preço e, para isso, acaba renegando valores importantes da alma humana, como honra e justiça. Esta obsessão custará caro a Hug, que será obrigado a realizar uma verdadeira descida aos infernos, até finalmente descobrir as razões que levaram seu pai a tomar tal atitude no passado.

    O diretor Ronny Yu (de Freddy Vs. Jason) equilibra-se num perigoso meio termo que tenta deixar seu filme agradável, tanto ao gosto oriental quanto ao paladar das bilheterias ocidentais. Para isso, busca momentos da sabedoria milenar chinesa, ao mesmo tempo em que carrega na ação e na violência nas numerosas cenas de luta. Peca pela redundância, ao verbalizar com excesso de didatismo pensamentos já claramente explicitados pela força das imagens, e segue a cartilha dos roteiros tradicionais que exploram a força, a redenção e o tradicional tema da "segunda chance" do herói.

    Provavelmente, o sub-tema mais interessante do filme é o processo de ocidentalização que a China passa naquele período, com a invasão sucessiva de várias culturas que acabam por descaracterizar em poucas décadas alguns dos aspectos mais caros às milenares tradições locais. Porém, isto acaba sendo apenas um pano de fundo para a história, que mereceria um enfoque mais aprofundado, em alguma próxima produção chinesa.

    Se por um lado a tentativa do diretor em equilibrar oriente e ocidente acaba desagradando ao apreciador de um cinema mais transgressor, por outro, esta opção deve ter agradado aos investidores do filme: O Mestre das Armas conseguiu lançamento de blockbuster nos EUA, onde estreou em mais de 1.800 cinemas e faturou US$ 25 milhões nas bilheterias daquele país.

    É a globalização, como sempre, fazendo mal à arte e bem aos bolsos.