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    O MILAGRE DE STA. LUZIA

    Dominguinhos conduz o espectador a uma prazerosa viagem pela sanfona<br />
    Por Heitor Augusto
    26/08/2009

    Ao escolher Dominguinhos para ser o condutor de uma viagem musical, o diretor Sergio Roizenblit correu o risco de, caso errasse a mão, transformar O Milagre de Sta. Luzia em uma egotrip “eu, Dominguinhos, e a sanfona”.

    Felizmente, não errou, e o sanfoneiro nos conduz a uma interessante viagem auditiva pelas diferentes manifestações do acordeom no Brasil, do baião nordestino ao estilo tradicionalista gaúcho, passando pela guarânia do Centro-Oeste e o jazz paulistano.

    Um dos principais méritos do documentário é a pesquisa. Se o seu conhecimento de sanfona vem apenas de Luiz Gonzaga, então você será apresentado ao humor de Pinto do Acordeom e ao exímio tocador Arlindo dos 8 Baixos. Se você só ouviu falar de uns tocadores gaúchos, então vai entender a diferença da riqueza harmônica de Gilberto Monteiro e o preciosismo de Luciano Maia, o Yamadú Costa da sanfona. Para ficar apenas em quatro dos 23 músicos do filme.

    O segundo mérito é o ritmo de O Milagre de Sta. Luzia. Sem contar os instrumentistas que ficaram de fora dos 104 minutos do longa, são muitas nuances musicais para serem abarcadas em apenas um filme. Querer colocar todos os sanfoneiros encontrados pelo caminho é uma tentação que Roizenblit deve ter sentido em algum momento da montagem. Porém, resistiu ao impulso e o documentário tem a habilidade de manter o espectador ali, no filme, mesmo que tenha exagerado na contextualização do início.

    O que faz falta no filme é uma presença maior de sanfoneiros do Centro-Oeste e do interior de São Paulo, que têm apenas quatro representantes no documentário. Dominguinhos justifica que o estilo mato-grossense se parece com o gaúcho, mas Roizenblit bem que poderia ter aberto mais o fole da região.

    Falando em fole, uma presença marcante é a de Sivuca, que, em sua última entrevista, faz duas coisas importantes. A primeira é tocar sua música mais bonita, Adeus Maria Fulô; a segunda é lembrar ao espectador que a sanfona não é instrumento a ser taxado de “regional”, mas sua riqueza harmônica pode acompanhar diversos ritmos.

    O Milagre de Sta. Luzia
    é um filme poderia ter caído em diversos erros narrativos. Em vez disso, nos proporciona um deleite auditivo e visual pelos tipos de sanfona e por peculiares personagens brasileiros.