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    O MISTÉRIO DA ESTRADA DE SINTRA

    Por Celso Sabadin
    28/11/2008

    Confesso que tenho dificuldades em ver filmes falados em português de Portugal. Primeiro porque muitas palavras se perdem na pronúncia; segundo porque fico esperando a piada... E nem sempre ela existe. Em O Mistério da Estrada de Sintra não foi diferente. Dei algumas gargalhadas em momentos que não tinham a menor graça, só imaginando a piada que nunca vinha. E o filme nem é uma comédia.

    Tudo acontece em 1870, quando os escritores Eça de Queirós (Ivo Canelas) e Ramalho Ortigão (António Cerdeira) escrevem um folhetim romântico-policial a quatro mãos para um jornal local, que o publica em capítulos. Cada um escreve uma parte, dando asas à imaginação e, aos poucos, transformando a obra numa rasgada "novela mexicana". Porém, um poderoso conde português começa a ameaçar Eça de Queirós, dizendo que ele está difamando a história de sua família. Eça, por sua vez, rebate dizendo que tudo não passa de mera invenção dos autores e nada tem a ver com a vida real. O conflito se estabelece e ficção e realidade começam a se confundir.

    A boa idéia de misturar elementos ficcionais e documentais das vidas dos escritores, mesclando-as com a ação passada propriamente dentro do folhetim, é fortemente prejudicada por uma direção de estilo over e televisivo, que esbarra na linguagem exagerada de algumas telenovelas latinas. Tal estilo seria até justificável - e, por que não, divertido - nas cenas que são as transposições do folhetim em si, mas, quando se percebe que o erro permeia todo o filme, O Mistério da Estrada de Sintra se torna desinteressante e falso.

    Co-produzido por Portugal e Brasil, alguns atores conhecidos do nosso público participam do elenco, como Giselle Itiê (na verdade, mexicana, mas atuando por aqui) e Flávio Galvão.