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    O MISTÉRIO DO GATO CHINÊS

    Por Sara Cerqueira
    13/08/2019

    Uma fantasia que, incorporando elementos dignos de um conto de fadas do horror, brinca com nossos sentidos e com questões filosóficas interessantes. O que é ilusão? Não é um bocado insano definir como "real" apenas aquilo que podemos ver? Até que ponto podemos nos deixar levar por aquilo que encanta nossos sentidos? Manifestações lidas socialmente como sobrenaturais não são apenas frutos do nosso incrível (e bizarro) poder de imaginação e manipulação?

    O Mistério do Gato Chinês, do diretor Chen Kaige, aborda essa e outras questões de forma visualmente imponente, fantasiosa e um bocado bagunçada. No longa, a Dinastia Tang é ameçada por um gato demoníaco que mata o imperador e ameaça sua linhagem e outros habitantes da região. O poeta Bai Lethian (Huang Xuan) e o monge budista Kukai (Shota Sometani) tentam desvendar o mistério envolto da criatura e descobrem as tramas passadas conectadas aos assassinatos atuais.

    Elemento já conhecido do cinema oriental, a mescla de fantasia e realidade munida de estonteantes efeitos visuais é uma constante de longa metragens do outro lado do globo, especialmente chineses. No longa, além de sermos impactados com a beleza das locações, figurinos e efeitos de computação gráfica, o roteiro brinca com nosso imaginário e nos faz questionar, quase o tempo todo, se o que acabamos de ver justifica a realidade ou se assemelha a um um grande sonho.

    Entretanto, apesar de ter os pontos positivos citados acima, O Mistério do Gato Chinês se arrasta boa parte do tempo. Apesar de tocar em pontos interessantes e nos encantar, é palpável sua falta de robustez para manter nosso interesse até o final. Com grandes atrativos lúdicos, o filme caminha penosamente apenas com uma sequência de assassinatos cometidos pelo misterioso felino que, em um certo ponto, começa a não somente não nos surpreender, mas também a causar um certo tédio.

    Mesmo com uma exploração eficiente dos efeitos (em grande parte graças à riqueza de detalhes provenientes de uma cultura oriental milenar)e com um cast operante, o longa deixa a desejar no segundo ato e acaba comprometendo nossas próprios visões e interpretações da narrativa. Por fim, o longa acaba ficando com pontos soltos e passível de interpretações não por ser incrivelmente intrigante e complexo, mas sim por ficar um bocado perdido.

    Em busca de uma experiência lúdica, com pinceladas de questões filosóficas interessantes e efeitos visuais deslumbrantes, o espectador ficará suficientemente contente ao assistir O Mistério do Gato Chinês. Entretanto, é preciso limitar as expectativas consideravelmente quanto à elaboração e até mesmo coesão de roteiro. Como diversão escapista, nos mantém entretidos e nos sentimos crianças novamente assistindo a uma colorida fábula.