cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    O NOVO MUNDO

    Por Felippe Toloi
    22/05/2009

    Já se passaram oito anos desde que o cineasta Terrence Malick dirigiu o elogiado Além da Linha Vermelha, filme de guerra protagonizado por astros como Sean Penn e George Clooney. Parece muito tempo entre este filme e O Novo Mundo, mas pouco perto do hiato de 20 anos que separa o mesmo e Cinzas no Paraíso (1978). Isso acontece principalmente porque o diretor sempre foi avesso ao estrelato e não faz filmes com a pretensão de estar sempre em destaque. Este retorno, então, é mais do que pertinente.

    Tanto no ritmo quanto esteticamente, O Novo Mundo se assemelha muito ao seu filme anterior: denso, de poucos diálogos, contemplativo – destaque para o trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki. Com essas descrições, poderíamos concluir que Malick não foi ousado, mas não é o caso: o diretor comanda essa épica produção com competência.

    O Novo Mundo não trata somente da aventura de um descobrimento geográfico, nem de uma história de amor intensa entre o capitão inglês John Smith (Colin Farrell) e a nativa norte-americana Pocahontas (Q'orianka Kilcher). O diretor propõe uma nova visão aos fatos históricos e às lendas que cercam estes dois personagens. A narrativa mostra a chegada de Smith pelas terras da Virginia, onde fundou a colônia de Jamestown.

    Malick se preocupa em dar enfoque à jornada interior dos seus personagens, principalmente quanto à questão antropológica, em função do choque cultural entre os nativos e os europeus. Smith, trazido pelas caravelas como prisioneiro por má conduta, é o primeiro a fazer essa jornada. Ao ser seqüestrado pelos nativos, ele demonstra aos poucos um grande aprendizado, imaginando que aquele território pode ser a oportunidade de transformar o mundo em algo menos injusto do que ele já conhecia.

    Este sonho é mais do que reforçado quando Smith se apaixona por Pocahontas. A princesa da tribo Powhatan é a representação real de sua ambição: pura, bela e bondosa. A nativa responde positivamente aos sentimentos do inglês e a relação entre os personagens mostra-se sutil e lírica. No entanto, os conflitos são inevitáveis. Pocahontas se vê obrigada a abandonar sua tribo em busca da concretização do amor, enquanto Smith, descontente com o futuro de sua colônia, retoma seu espírito aventureiro e parte em direção às Índias.

    O roteiro, infelizmente, sofre um pouco com essa mudança. A chegada do aristocrata John Rolfe (Christian Bale) no local e sua relação com Pocahontas é brusca demais, fato que pode ser explicado pelos cortes que Malick foi obrigado a fazer, mesmo após a edição final. De qualquer maneira, O Novo Mundo agrada e o diretor não deixa de impor nas câmeras o sentimento de desbravamento que a história necessita. Só espero que a sua próxima jornada não demore tanto quanto as outras.