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    O OPERÁRIO

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Ao escrever sobre Nina, comecei a me perguntar o que leva um homem à insanidade. Agora, ao pensar em O Operário, estou perturbada com a mesma indagação. Será isso um sinal? Não sei. O fato é que o filme do diretor Brad Anderson deixa o espectador perturbado da mesma forma que fica seu protagonista.

    O roteiro, escrito por Scott Kosar (O Massacre da Serra Elétrica, versão 2003), conta a história de Trevor Reznik (Christian Bale, irreconhecível), um homem visivelmente abalado. Magérrimo, ele não dorme há um ano e sente na carne as conseqüências dessa insônia crônica. Seus principais relacionamentos são com uma prostituta e com uma mulher que lhe serve cafés de madrugada na lanchonete do aeroporto.

    Durante o dia, Reznik trabalha em uma fábrica operando máquinas. Desatento por conta do cansaço físico e mental, ele provoca um acidente que decepa o braço esquerdo de um colega. Os outros passam a culpá-lo pelo acidente e Reznik se vê imerso em uma série de coincidências e fatos bizarros, agravados pelo surgimento de um sujeito que aparece nas horas mais estranhas, cuja existência não é comprovada por mais ninguém a não ser Reznik.

    Anderson nos transporta à mente cada vez mais debilitada do protagonista. Seu mundo não tem cores - tanto que a fotografia de O Operário é praticamente em preto-e-branco de tão frias e apagadas que são as cores. Assim como na cabeça de Reznik, nada nesse roteiro parece se encaixar e, assim como ele, descobrimos aos poucos o que são as estranhas coincidências na vida do personagem.

    É uma mistura de Clube da Luta com Spider, com trilha sonora que nos remete aos filmes de suspense da década de 60. Christian Bale - que em breve será realmente conhecido mundialmente como o novo Batman - está esplêndido. Que ele é um bom ator não se tem dúvidas desde Psicopata Americano mas aqui, além de ter emagrecido dezenas de quilos para o papel, Bale passa pelo olhar a evolução da perturbação mental pela qual passa seu personagem.

    A paranóia na qual o personagem de O Operário entra é tão assustadora que o espectador sai perturbado do filme. E com vontade de dormir. Não pelo tédio, mas pelo medo de se tornar um Trevor Reznik.