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    O OUTRO LADO DA RUA

    Por Roberto Guerra
    22/05/2009

    Quando se assiste a muitos filmes, como nós críticos ou vocês cinéfilos, é inevitável apurar o senso analítico. De repente, começamos a perceber certas minúcias que antes passavam despercebidas. Alguns desses detalhes, pinçados aqui e ali, são gratificantes. Outros nem tanto. Chegar, por exemplo, à conclusão de que existe uma certa mesmice cinematográfica, produções parecidas em forma e conteúdo sendo produzidas aos borbotões recai neste segundo caso.

    Mas o mesmo senso crítico que nos leva a esta percepção também nos faz reconhecer de imediato um trabalho que fuja do lugar-comum. E o filme não precisa ser inovador, surpreendente, revolucionário. Basta ser como O Outro Lado da Rua, longa de estréia de Marcos Bernstein (roteirista de Central do Brasil), que chega às telas brasileiras nesta sexta.

    Em seu longa, Bernstein faz o trivial, um retorno nostálgico à simplicidade que nos faz lembrar que um bom filme ainda é aquele que tem uma boa história para contar, nos fazendo mergulhar no universo de seus personagens durante o decurso da projeção. E quando sobem os créditos e acendem as luzes, ainda resta aquele torpor de ter sido desligado tão abruptamente da trama.

    O Outro Lado da Rua consegue tudo isso ao contar a história de Regina (Fernanda Montenegro cada vez melhor), uma mulher de 65 anos que vive em Copacabana com sua cachorrinha vira-lata. Para preencher as horas vagas e se distrair, ela presta um serviço de informação para a polícia, denunciando pequenos delitos. Em uma noite insone, observando com seu binóculo o que acontece nos prédios do outro lado da rua, Regina presencia o que lhe parece ser um homem matando sua mulher com uma injeção letal. Ela chama a polícia, mas o óbito é dado como morte natural. Desmoralizada, resolve provar que estava certa e acaba se envolvendo com o suposto assassino, o juiz aposentado Camargo, interpretado com competência por Raul Cortez.

    Marcos Bernstein, ao contrário de muitos cineastas iniciantes, soube ser humilde e não tentou ousar mais do que a experiência lhe permite. De sua bagagem como roteirista, municiou o filme com uma trama bem-amarrada e diálogos afiados. Soube, inteligentemente, fugir do óbvio ao transformar um aparente thriller policial num filme delicado, cheio de sutilezas, em que os protagonistas vão se humanizando paulatinamente aos olhos do espectador. Mérito de Fernanda Montenegro e Raul Cortez, exibindo uma química mais que perfeita.

    Bernstein começou sua carreira de diretor com o pé direito e, ao que tudo indica, não vai demorar muito a entrar para o primeiro time dos cineastas brasileiros. O seu O Outro Lado da Rua é um filme para ver e rever.