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    O PASSADO

    Por Angélica Bito
    26/10/2007

    Depois de dirigir um filme totalmente brasileiro como Carandiru (2003), o cineasta argentino naturalizado no Brasil Hector Babenco volta às suas raízes argentinas em O Passado. A temática social de seu longa anterior dá lugar a uma história voltada aos sentimentos de seus personagens neste seu novo trabalho, cujo roteiro é baseado no livro homônimo de Alan Pauls, lançado recentemente no mercado brasileiro.

    O Passado tem como foco o jovem tradutor Rimini (Gael Garcia Bernal) e seu envolvimento com três mulheres. A trama parte do momento em que rompe com com Sofia (Analía Couceyro), namorada desde os tempos de infância, com quem ficou casado por 12 anos. A bela jovem modelo Nancy (Mimí Ardú) é seu relacionamento seguinte e Carmen (Ana Celentano) é a mulher que dá um filho ao protagonista.

    O tempo todo, O Passado trabalha com as memórias e os percalços pelos quais o protagonista passa para conseguir se relacionar com estas três mulheres. Sofia, aparentemente, encara com maturidade o fim do casamento, mas, gradativamente, mostra-se possessiva e rancorosa, sem conseguir nunca superar seus sentimentos pelo ex-marido. Nancy, a mais bela do trio, é, ironicamente, a mais possessiva, doentiamente ciumenta. A madura Carmen é a mais segura, encarando com dureza os deslizes de Rimini.

    O Passado mostra com clareza a forma como homens e mulheres são capazes de lidar de forma diferente em relação ao amor. Afinal, é esse o sentimento que permeia os acontecimentos do longa-metragem e, aos poucos, todos os personagens perdem a razão, cada um de sua forma, em conseqüência das dores e decepções que o sentimento ocasiona em suas vidas.

    Dentre os filmes de Babenco, O Passado dialoga bastante com Coração Iluminado, não somente por ambos serem ambientados em Buenos Aires, mas principalmente por ambos estarem relacionados à memória afetiva de seus personagens. Belamente dirigido, conta com atuações memoráveis. A forma como a história é trabalhada e o impacto do passado na forma como cada um deles é capaz de lidar com o presente é feito de uma forma honesta, mostrando claramente que o que somos é resultado direto do que fomos.