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    O PEQUENO PRÍNCIPE

    Clima lúdico quer despertar a criança interior do espectador
    Por Iara Vasconcelos
    14/08/2015

    O pequeno Príncipe, um dos maiores clássicos da literatura mundial com cerca de 143 milhões de exemplares vendidos, é uma obra que ultrapassa gerações e marca presença na cabeceira de crianças e adultos há muito tempo. A história do menino de cabelos dourados que vive no asteroide B 612 já ganhou adaptação para os cinemas anteriormente, mas volta a ser retratada pelas mãos de Mark Osborne (Kung Fu Panda, Bob Esponja - O Filme) em uma bela versão modernizada e repleta de carisma.

    Usando elementos da vida moderna e com foco no exagero de nossa dependência mecânica como pano de fundo, a trama acompanha uma garotinha que acaba de se mudar com a mãe para um novo bairro, com o objetivo de iniciar os estudos em uma das mais renomadas escolas da região.

    A mãe é obcecada com a educação da filha e tem até um cronograma para tudo em sua vida, como o tempo para refeições, para estudos e principalmente para brincadeiras – que no primeiro momento sequer tinham espaço em sua rotina. A forma como o filme aborda essa pressão precoce para o sucesso e a ausência dos pais na vida cotidiana de seus filhos, mesmo não intencionalmente, é bastante tocante e o desenvolvimento do assunto é trabalhado da forma correta para crianças e adultos se identificarem.

    A mãe aqui não é vista como antagonista, nem seu comportamento é tratado de forma maniqueísta. Ela cria a filha sozinha e precisa trabalhar para proporcionar a ela um futuro melhor. Esse desejo parece ser um consenso entre os pais, a questão é até onde não exageramos ao projetar desejos pessoais nos outros? No filme, percebemos que a garotinha anseia por ser uma criança normal, que ri, brinca e sonha com as fantasias sobre o Príncipe desconhecido.

    A protagonista finalmente abraça sua condição de criança quando inicia uma amizade com o misterioso homem idoso que mora ao lado de sua casa. É ele quem narra as aventuras do Pequeno Príncipe e desperta a curiosidade tipicamente infantil da menina, algo reprimido até então.

    Apesar de acrescentar elementos não existentes no original, como a relação entre a garota e a mãe, a versão de Osborne mantém fidelidade ao livro no que diz respeito à estrutura da história e visual dos personagens, os quais não devem ser surpresa aos conhecedores do livro. Certamente, a intenção do cineasta não era reinventar a obra, mas sim trazer sua essência para uma realidade do século XXI. Ainda assim, o verdadeiro charme de O Pequeno Príncipe está nas sutilezas. O filme traz uma interessante mistura entre animação e stop motion e a riqueza de detalhes do cenário e dos bonequinhos e seus movimentos são um verdadeiro deleite aos olhos.

    O Pequeno Príncipe não é só uma história sobre como um livro pode mudar sua vida, é sobre solidariedade e amizade, sobre nunca abandonar sua criança interior, mesmo diante das dificuldades e responsabilidades da vida adulta. A lição que tiramos, depois das quase duas horas de filme, é que crescer não precisa ser uma experiência de perda dos sonhos, da inocência ou da bondade genuína.