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    O PESADELO

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Se eu fizesse filmes de terror, com certeza prestaria atenção dos erros de meus colegas cineastas. Dessa forma, não cairia nas armadilhas de produções como O Pesadelo: o começo pode até reservar alguns sustos, mas a história escorrega ladeira abaixo no final, sendo capaz de anular quase que por completo todos os acertos do começo do filme.

    Primeiro: sim, é a história de um cara de mais de vinte anos que tem medo do bicho-papão. Na verdade, essa criatura que Tim (Barry Watson) sempre imagina estar dentro do armário é a personificação de seus medos. Aos oito anos (nessa idade, vivido por Aaron Murphy), seu pai abandona a família, mas ele teima que quem o levou foi o monstro do armário. Na verdade, o próprio espectador fica sem saber o que aconteceu com o pai. O fato é que, depois desse episódio, Tim fica cada vez mais esquisito.

    Mais de 15 anos depois, ele mora sozinho (em um apartamento sem armários, claro) e começa a enfrentar de frente seus medos pelo bicho-papão quando, em uma visita à casa dos pais da namorada Jessica (Tory Mussett), recebe a notícia da morte da mãe. Culpado por ter se afastado dela, Tim volta à cidade onde foi criado, atormentado não somente pela proximidade dos armários que escondem o bicho-papão, mas, também, por pesadelos assustadores que andou tendo com a mãe. Durante o enterro, Tim encontra duas pessoas que, mais tarde, se tornam muito importantes nessa "luta" contra seus medos: a menina misteriosa Franny (Skye McCole Bartusiak) e a amiga de infância Kate (Emily Deschanel). Sua antiga psiquiatra recomenda que fará bem passar uma noite no casarão onde seus medos começaram, e é exatamente isso que Tim tenta. Tudo para tirar o bicho-papão de sua vida.

    O Pesadelo tem tudo para agradar os fãs de terror. Ele usa bem aqueles recursos que já sabemos que dá certo, como luzes falhando, raios e trovões, sombras enganadoras - como a da árvore na janela que parece ser alguém, sabe? -, além dos ruídos, que viram barulhões na medida em que a tensão aumenta. De qualquer forma, esses elementos são muito bem-distribuídos ao longo do filme, cuja edição é bem interessante. A narrativa é semelhante aos novos filmes de terror da moda, os asiáticos. Inclusive, O Pesadelo é produzido pela empresa de Sam Raimi (diretor que despontou no cinema com o terror trash A Morte do Demônio, de 1981), que produziu O Grito.

    Mas, afinal, quando O Pesadelo peca? No pesadelo em si. Tudo leva a crer que tudo não passa do fruto da imaginação do protagonista, que usou desde criança o mito do bicho-papão como uma forma de extravasar todos os outros medos. Só que, quando a metáfora começa a sair da cabeça de Tim e tomar forma, o longa escorrega demais para o absurdo. Enquanto o espectador encara tudo aquilo como metáfora, tudo bem, mas, quando o longa tentar tornar tudo aqui real, não dá para continuar no clima. De qualquer forma, em se tratando de monstros no armário, prefira da animação Monstros S.A..