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    O PIANISTA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Era uma vez um jovem judeu vivendo na Polônia. Com a Segunda Guerra, todos os judeus passaram a ser perseguidos pelas tropas de Hitler, inclusive ele e sua família. Ele é um artista, o que não faz diferença alguma, pois deve se esconder de qualquer forma. E deve fugir pela sua vida. Essa história, resumida, é a do pianista Wladyslaw Szpilman que, em 1946, escreveu suas memórias. É, também, do cineasta Roman Polanski que, em 2002, filmou O Pianista, baseado no livro de Szpilman. As duas histórias confundem-se, mas não são as mesmas. Apesar de Polanski ter colocado muito de suas memórias neste seu filme, ele conta a história de Szpilman: "eu sempre soube que um dia faria um filme sobre esse período doloroso da história da Polônia, mas não queria que fosse sobre minha própria vida", diz o diretor. Ele tomou emprestado, então, a vida de Szpilman. O resultado é um filme sensível, cruel e grandioso, que recebeu sete indicações ao Oscar deste ano nas principais categorias: Melhor Filme, Diretor e Ator, além de Melhor Fotografia, Figurino, Roteiro Adaptado e Montagem.

    Aos 27 anos, Wladyslaw Szpilman era considerado um dos mais promissores pianistas da Polônia. Enquanto tocava em uma rádio, em 1939, seu bairro começou a ser bombardeado. A Polônia foi tomada pela tropa de Hitler e foi criado um barro na periferia de Varsóvia para que as famílias judias - identificadas com uma faixa no braço - ficassem isoladas. Não importava o quanto dinheiro tinham: os judeus passaram a viver em condições precárias. Esse confinamento antecedeu o envio dos judeus aos campos de concentração, viagem da qual Szpilman acabou escapando. Desde então, passou a se esconder com a ajuda de amigos e, também, desconhecidos. Mais do que esconderijos, Szpilman encontrava em cada local a sobrevivência e a possibilidade de, quando terminar a guerra, voltar às teclas do piano. Em um desses esconderijos, Szpilman encontra um soldado alemão que, ao invés de delatá-lo, resolve proteger o pianista que o encantou com sua música.

    Szpilman perde a elegância, a família, o dinheiro e quase perde, também, a perspectiva de continuar vivo, mas algo não seria roubado pelos alemães: seu talento junto ao piano. O Pianista mostra uma história de superação: mesmo frente à degradação do ser humano perante a guerra, o protagonista não desiste e sempre vai atrás da sobrevivência, numa história semelhante à juventude de Polanski. Exatamente por isso, o diretor acabou passando uma visão sensível e crua da história. Apesar de ter o objetivo, desde o começo, de fugir da autobiografia, Polanski revê em cada fotograma sua própria história. Como diz o próprio diretor, "assisti ao bombardeio de Varsóvia e queria recriar tido o que me lembrava de minha infância. Queria me manter fiel à realidade o máximo possível e evitar qualquer 'mentirinha' ao estilo hollywoodiano'".

    A realidade cruel de uma guerra - neste caso, a relacionada ao nazismo da Segunda Guerra - já foram retratados no cinema inúmeras vezes, por incontáveis pontos de vista, o que não tira o mérito de O Pianista. Afinal, este é o ponto de vista de Roman Polanski que, por meio de suas câmeras, consegue passar ao espectador o quanto essa página da História é negra e como humanos deixaram de ser humanos - seja os perseguidos ou os perseguidores. No entanto, nem todos desistiram da humanidade e é um pouco de esperança que Polanski ainda consegue passar.