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    O PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM

    Prequel de clássico de 1968 tem roteiro pobre, previsível e desperdiça possibilidades<br />
    Por Celso Sabadin
    23/08/2011

    Os executivos de Hollywood sabem que muitas vezes divulgar um novo filme é tão caro quanto produzi-lo. Muitos milhões de dólares são investidos na criação de uma nova marca, de um novo nome de sucesso, um novo título que gere empatia com o público. Não é por acaso que o cinema comercial americano dá tanta importância às franquias, ou a títulos já conhecidos do grande público. Em outras palavras, é menos arriscado lançar um novo Batman, ou um novo Homem Aranha – nomes que todos já conhecem – que tentar criar uma nova marca.

    Nas últimas décadas, visando esta facilidade, popularizou-se a fórmula das sequências (sequels) e se criou o esquema de franquias cinematográficas. Mais recentemente, com as sequências esgotadas, partiu-se para a chamada prequel, ou seja, imaginar qual teria sido o início dos personagens que aprendemos a amar nas franquias. Assim foi com Wolverine, Star Trek, X-Men e – agora – Planeta dos Macacos.

    Quem viu o primeiro longa da série, de 1968, não se esquece da clássica cena final, onde destroços da Estátua da Liberdade espalhados na praia dão a chave para o mistério: o tal Planeta dos Macacos, na realidade, era a própria Terra, no futuro, dominada pelos símios. Juro que não é piada, podem pesquisar, mas o filme, em Portugal, se chamou O Homem que Veio do Futuro, entregando de bandeja a solução da trama.

    Agora, o novo filme, Planeta dos Macacos: A Origem, mostra os motivos que causaram esta dominação. É aí que o bicho pega, sem nenhum trocadilho. Forçosamente tendo de se adaptar aos novos tempos, que exigem leituras mais rasas e imediatistas, o roteiro de Rick Jaffa e Amanda Silver (que escreveram e produziram A Mão que Balança o Berço, nada especial) busca soluções simplistas e de consumo rápido.

    Tudo teria começado a partir das pesquisas do cientista Will Rodman (James Franco), que em sua busca incansável pela cura do Mal de Alzheimer acabou desenvolvendo uma poderosa droga que, injetada em chimpanzés de laboratório, desenvolveu alto grau de inteligência nos macacos. Como sempre acontece neste tipo de filme, tudo sai de controle, o chefão do laboratório só visa o lucro, o cientista é um jovem idealista e incompreendido e assim por diante num grande sucessão de lugares comuns.

    Uma situação em especial chama a atenção: Will entra em casa, onde se ouve, ao fundo, um piano mal tocado. Trata-se de Charles (John Lithgow), pai de Will, portador de Alzheimer, que um diploma na parede se apressa em informar que ele era professor de música. Não é preciso ter feito cursinho de roteiro com Syd Field para adivinhar, em segundos, que Will usará o remédio-teste em seu próprio pai e que o som de um piano bem tocado será o sinal que a droga funciona. Não dá outra. É nesta tocada de previsibilidades e de situações-clichês que o filme se desenvolve.

    Aproximadamente no segundo terço da trama, Planeta dos Macacos: A Origem se transforma num improvável “filme de prisão”, com todos os clichês do gênero, com direito até a carcereiro psicótico interpretado por Tom Felton, o Malfoy de Harry Potter. Por que alguém se interessaria em manter centenas de macacos encarcerados em sórdidas condições é um mistério...

    E chegando ao seu final o filme se transforma num típico exemplar de cinema catástrofe. Já nos créditos finais, Planeta dos Macacos: A Origem toma emprestada uma ideia de E a Vida Continua (por sua vez, baseada na realidade da Aids): o vírus mortal se disseminará por todo o mundo, vindo de San Francisco, através de um funcionário da aviação civil.

    Esta sucessão de lugares comuns e fórmulas prontas não fazem de Planeta dos Macacos: a Origem um filme ruim. Não. Mesmo porque o diretor inglês Rupert Wyatt, praticamente um estreante, consegue extrair resultados eficientes tanto do roteiro mediano como dos bons efeitos digitais. Este novo Planeta só não tem a genialidade, nem a crítica social, nem a inteligência de seu antecessor de 1968, e propõe soluções fáceis e simplistas para este “mistério” cinematográfico de quase 45 anos. É compreensível. Afinal, vale lembrar que o primeiro filme tinha, entre seus roteiristas, nomes como Michael Wilson (que chegou inclusive a colaborar nos roteiros de Frank Capra) e Rod Serling (o lendário criador da série de TV Além da Imaginação).

    Talvez Hollywood tenha se esquecido de que, antes de mais nada, um grande filme começa com um bom roteiro.