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    O PREÇO DO AMANHÃ

    Embalado por uma caprichadíssima produção, filme merece a atenção dos fãs de ficção científica
    Por Celso Sabadin
    31/10/2011

    A premissa é das mais interessantes: no futuro, todas as pessoas viverão tranquilamente até os 25 anos. A partir deste momento, porém, elas receberão um relógio subcutâneo e terão de trabalhar para ganhar o tempo que lhes restará de vida. Não existirá mais o dinheiro, e todas as relações comerciais serão desenvolvidas por meio de compra, venda, troca e doação de tempo. Quem é pobre de tempo, poderá morrer a qualquer instante. Quem é rico, poderá viver centenas de anos sem nunca mais deixar de aparentar 25 anos.

    Legal, né? Parece coisa do escritor Phillip K. Dick, ou mesmo algum episódio de Além da Imaginação. Mas não é. Na verdade, tanto o roteiro como a direção de O Preço do Amanhã são do neozelandês Andrew Niccol, que já assinou o roteiro dos ótimos O Show de Truman - O Show da Vida, O Senhor das Armas e Gattaca - Experiência Genética, este último também dirigido por ele. Sem dúvida, um belíssimo currículo.

    Aqui, porém, o brilho da excelente premissa original foi empanado por dois grandes vícios cinematográficos. Primeiro: tudo o que está escrito no início deste texto é narrado didática, literal e preguiçosamente logo nos primeiros segundos do filme. Tudo explicadinho e mastigado, pronto para o espectador consumir, sem que se peça dele nenhum tipo de esforço ou atenção. É tirado do público o prazer cinematográfico de descobrir o enredo aos poucos, de participar do filme.

    Segundo: explicadas as propostas de roteiro e estabelecidos os conflitos básicos, O Preço do Amanhã opta por se desenvolver dentro dos cânones típicos de apenas mais um filme de corre-corre e de bem contra o mal. Deixa em terceiro plano os magníficos subtextos que abre mas não desenvolve, como a dualidade mortalidade/imortalidade (inesquecível em Blade Runner, por exemplo) e a crítica social que começa a ser feita quando propõe o tempo apenas como a (suja e ainda mais cruel) moeda do futuro.

    Porém, as ótimas ideias – ainda que pouco exploradas e desperdiçadas pelo caminho – ainda têm força suficiente para segurar o pique de um filme que, embalado por uma caprichadíssima produção, merece a atenção dos fãs de ficção científica. Lamenta-se apenas o desperdício de um argumento original (raridade) que tinha tudo para se transformar em mais um Niccol notável, como foram seus anteriores.