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    O PREDADOR

    Por Daniel Reininger
    12/09/2018

    Predador é aquela franquia com elementos empolgantes, mas constantemente incapaz de realizar todo seu potencial nas telonas. Já tentaram mudar o tom, o clima, as origens, colocar contra o Alien e nada, absolutamente nada, foi incrível até hoje. A ideia do Predador é mais interessante do que suas aparições cinematográficas e isso é um fato.

    Então é interessante ver que Shane Black (Homem De Ferro 3) tentou fazer algo mais parecido com uma aventura adolescente cheia de humor para ver se finalmente as coisas se acertam. Não foi dessa vez, mas parece a melhor tentativa desde o filme original.

    Com humor leve, personagens caóticos, mortes pesadas e muita ação, o filme apresenta uma trama que pelo menos tenta apresentar um novo objetivo por trás da raça de caçadores intergalácticos. A tensão habitual da sobrevivência é substituída por uma corrida contra o tempo, com narrativa leve, ação desenfreada e heróis malucos e diálogos surreais (e não necessariamente bons ou convincentes).

    Black co-escreveu a continuação e trouxe para a franquia muito de seu estilo de comédia dark, repleta de dinâmicas de família fora do padrão. O Predador é capaz de humanizar seus personagens ao explorar um grupo de autoproclamados "Malucos" - veteranos relegados à ala psiquiátrica do exército - e também a família do protagonista Mckenna (Boyd Holbrook), que se desfez recentemente. Essas dinâmicas trazem uma humanidade que faltava à série.

    Entretanto, por mais divertidos e simpáticos que sejam os personagens, eles estão lá apenas como enfeite do protagonista badass. Todas as atitudes deles só servem para literalmente apoiar McKenna e ajudá-lo a alcançar seus objetivos, o que tira um pouco do brilho das interações.

    Por sinal, nem todos funcionam. A bióloga evolutiva Dra. Casey Bracket, vivida por Olivia Munn, acaba relegada a segundo plano e alguns dos membros do grupo dos "Malucos" simplesmente estão ali para servirem como mais uma pessoa com arma na mão. E só. Dito isso, o frenético e confuso ato final serve como decepcionante conclusão da história desses personagens e estraga boa parte do que foi divertido até então.

    Apesar do lado humano ser interessante, o longa só funcionaria mesmo se o Predador fosse intimidador, mas nesse ponto o filme deixa bastante a desejar. As novidades apresentadas para o inimigo não são realmente novidades, então não espere um vilão muito mais poderoso ou inteligente do que outras versões anteriores. Isso é particularmente decepcionante num momento de reviravolta da trama.

    Além disso, vale lembrar que o original possui elementos de horror, além de ação. O monstro era assustador porque pouco se sabia sobre ele e vencê-lo parecia impossível. Neste longa, porém, temos ação pura e simples, com muitas balas, pancadaria e sem nenhum tempo para a genialidade humana brilhar, algo que vemos no herói de Arnold Schwarzenegger no original.

    O Predador tenta trazer de volta muitos elementos do original de 1987, mas com uma roupagem moderna, para atrair um novo público. Só que o filme não chega a empolgar em nenhum momento e, pior, a última meia hora é mal executada ao ponto de até os efeitos visuais perderem qualidade. A trilha épica também destoa.

    Mais triste é ver que a expectativa criada para uma possível grande revelação é desperdiçada, com um clichê sem graça, incapaz de gerar expectativa sobre o que a franquia pode trazer no futuro, isso caso esse filme faça dinheiro suficiente para revivê-la nas telonas. A verdade é que O Predador de 2018 não vai mudar nada na sua vida, só é um filme legalzinho para ver em casa com amigos, afinal pode garantir alguns momentos de risadas e diversão.