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    O PRESENTE

    Joel Edgerton estreia bem na direção desse supense
    Por Daniel Reininger
    02/12/2015

    Filmes de suspense ou terror precisam criar uma atmosfera opressiva, mexer com a cabeça dos protagonistas e dos espectadores, criar aflição e nunca revelar o que vai acontecer em seguida. Só que nas produções mais recentes do gênero, o próximo passo é sempre óbvio: Alguma morte violenta sem sentido aparente. É exatamente o que não acontece em O Presente, que sabe como fazer o público prender a respiração ao longo de seus 108 minutos e ainda procura fugir dos clichês sempre que possível.

    Escrito e dirigido por Joel Edgerton (ele estrela Aliança Do Crime), o longa acompanha Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall), casal que acaba de se mudar para uma casa em Los Angeles para começar uma nova vida. Quando saem para comprar móveis para a nova casa, eles encontram Gordon (Edgerton), alguém do passado de Simon, mas que ele não se lembra bem quem era a priori.

    Logo depois do encontro, Gordon passa a enviar presentes para Simon e as coisas começam a ficar bem esquisitas, principalmente quando o homem tenta se tornar amigo do casal a todo custo. Mas qual é a intenção dele? O que mais está acontecendo? Quais segredos estão por trás dessa relação obsessiva? O longa desenrola esses mistérios lentamente, mas com bom ritmo e é capaz de intrigar e incomodar, sem se tornar maçante.

    Atuações são outro ponto forte do filme. Edgerton faz bom trabalho como roteirista, diretor e também como ator, no papel de Gordon. Ele é esquisito, amedrontador, porém passa um ar de inocência que nos faz questionar se ele é realmente o vilão da história. Rebecca Hall está encantadora como sempre e quando a paranoia toma conta, ela convence. Jason Bateman está bem, porém, seu papel é o mais simplório do trio de protagonistas, afinal, é apresentado como uma pessoa inescrupulosa e egoísta apenas e poderia ter sido melhor desenvolvido.

    O roteiro funciona, possui alguns pequenos furos e sustos preguiçosos com som alto e imagens aparecendo na tela de repente, ao menos Edgerton procura usar esses recursos com algum objetivo narrativo. É interessante como o roteiro aponta para clichês e, de repente, algo diferente acontece ou até mesmo nada acontece, sem deixar a tensão diminuir.

    Talvez por isso o final decepcione tanto. Conforme os minutos finais se desenrolam, os clichês começam a aparecer mais e mais e o ritmo de surpresa não mais continua o mesmo. Tudo muda e a conclusão cai na mesmice de tantos outros do gênero, revelando planos malucos e situações improváveis que apagam algumas das questões mais interessantes apresentadas até então. Não é algo medonho, fique tranquilo, mas é muito inferior a o que o filme até então merecia.

    Apesar disso, O Presente é um interessante filme de suspense e ótima estreia de Edgerton na direção de um longa metragem. É verdade que a produção não inova, nem quebra paradigmas, entretanto, faz bem o que se propõe ao criar e suportar um mistério do começo ao fim, sem deixar a atmosfera de tensão se perder lentamente, como a maioria do gênero tem deixado acontecer recentemente. Agora, é esperar para ver mais obras dirigidas pelo ator que se mostrou um bom cineasta e aguardar algo ainda melhor em breve.