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    O PRIMEIRO HOMEM

    Por Daniel Reininger
    16/10/2018

    Damien Chazelle fez carreira a partir de histórias de sacrifício pelo sucesso ( La La Land - Cantando As Estações e Whiplash - Em Busca Da Perfeição), mas leva isso a novo nível com O Primeiro Homem, filme que mostra como o astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling) conseguiu se tornar o primeiro homem a andar na Lua. Se você perdeu o fôlego com filmes com Apollo 13 - Do Desastre Ao Triunfo e Gravidade, então vai amar essa produção.

    O filme começa com uma cena incrível de Armstrong como piloto de testes, ainda em 1961. Sua missão tem como objetivo colocar o avião X-15 logo acima da atmosfera. É uma sequência claustrofóbica e imersiva, na qual a fotografia, o ângulo de câmera e som ajudam a criar uma situação de extrema tensão e passam o desespero do piloto enquanto ele luta com forças da física. Claro, a trilha de Justin Hurwitz faz tudo ficar mais intenso.

    Seguindo a lógica de filmes como Dunkirk, a cinebiografia do astronauta mais famoso de todos os tempo mostra questões bem pessoais em meio a um contexto histórico gigantesco. Acompanhamos a jornada de Armstrong durante os programas Gemini e Apollo, até o pouso na Lua, em 1969. Baseado no livro de mesmo nome de James R. Hansen, o longa mostra um homem reservado, que perdeu sua filha e usa o trabalho para tentar lidar com a dor.

    A natureza fechada do personagem faz dele um papel perfeito para Ryan Gosling, conhecido pelas atuações minimalistas. Novamente ele faz um excelente trabalho aqui ao mostrar como Neil está constantemente à beira de um colapso, mas sempre consegue se manter estável por causa da importância e do peso de seu trabalho.

    Só que devido à atitude de Neil, são os outros personagens que carregam a maior parte do peso emocional do longa. Claire Foy, em particular, comanda o filme no papel da esposa de Neil, Janet, que precisa conviver com o temor da morte de seu amado, enquanto assiste à perda de outros astronautas durante os preparativos para as missões Apollo.

    O filme não tem medo de mostrar os desastres que levaram ao pouso na lua, até mesmo chega a colocar o espectador dentro da nave Apollo 1 enquanto pega fogo, matando todos dentro. A perda desses homens é devastadora e sentimos seu peso, o que só nos faz admirar ainda mais a coragem de Armstrong. Quando finalmente chegamos à lua, o peso emocional se mantém, mas se torna algo global, mostrando reações ao redor do mundo.

    No satélite, a tela muda de 35mm para 70mm IMAX em imagens de tirar o fôlego. O som é cortado e a maior parte da tela fica escura para fazer o público sentir como se estivesse no espaço. As cenas então se tornam uma mistura intensa de emoção, medo, empolgação e momentos de cortar o coração, enquanto nos enchemos de orgulho ao ver do que o somos capazes quando colocamos nossa mente em um objetivo.

    O Primeiro Homem celebra a conquista do pouso na lua, um dos feitos mais extraordinários da humanidade, mas seu foco mesmo é o sacríficio e a jornada do piloto que teve a coragem de enfrentar desafios excepcionais para chegar lá antes de todos. Como obra artística, é um feito cinematográfico inegável, de muita qualidade técnica, momentos encantadores e sombrios. Acima de tudo, é um filme dramático, intenso e capaz de nos encher de esperança ao vermos a força da vontade humana mesmo diante de desafios aparentemente intransponíveis.