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    O PRÍNCIPE DO DESERTO

    Filme nunca chega a ser convincente ou emocionante o suficiente para fazer a audiência embarcar na história<br />
    Por Roberto Guerra
    12/04/2012

    O cineasta Jean-Jacques Annaud quis fazer de O Príncipe do Deserto um drama épico da estatura de um Lawrence da Arábia, mas suas pretensões atolaram na areia. Seu filme parece caminhar a esmo como um tuareg pelas dunas de um deserto. Não decide qual tom seguir, se um caminho descompromissado com um leve toque de humor ou uma toada mais séria. Tenta enveredar pelos dois e se perde.

    A história mostra dois reinos rivais em luta por uma região rica em petróleo em meados da década de 1930. Antonio Banderas interpreta Nesib, emir de Hobeika. Ele acaba de vencer um longo conflito por posse de terras com o sultão Amar (Mark Strong). Para selar o acordo de paz, o sultão é obrigado a ceder ao inimigo seus filhos Auda (Tahar Rahim) e Saleeh (Akin Gazi), e os dois nobres concordam que não irão utilizar ou tomar posse da região conhecida como Faixa Amarela.

    Anos depois, uma empresa americana descobre petróleo no local e divide os lucros da extração com Nesib, provocando novamente um conflito entre as duas famílias. E o príncipe Auda, um tipo intelectual que sempre preferiu os livros às armas, fica dividido entre os dois lados. De sua indecisão nasce uma atitude improvável: ele rebela-se de certa forma contra os radicalismo de ambos os lados e torna-se o grande líder de um exército reunindo diversas tribos em busca de uma via alternativa.

    O Príncipe do Deserto surpreende por sua condução tacanha tendo em vista ser seu diretor o mesmo que já presenteou o público como obras com O Nome da Rosa e Preto e Branco em Cores. Tem cenas visualmente impressionantes, como os combates em que tanques de Nesib atravessam dunas atirando contra as tribos de Amar de armas em punho. Mas as escaramuças têm lugar somente no campo de batalha. Nunca as intrigas entre os protagonistas tornam-se de fato atraentes. O filme não consegue abordar o conflito entre o comércio de petróleo e a cultura tradicional árabe com qualquer profundidade real. É fácil ver as inúmeras implicações éticas, mas Annaud as aborda de uma forma demasiado simplista. Se não demoniza os homens das petrolíferas norte-americanas, os transforma em tolos bebedores de uísque estereotipados.

    E assim são outros personagens. Nesib, vivido por Banderas, é uma caricatura de árabe com a voz do Gato de Botas. O jovem Auda, um menino que cresceu numa biblioteca e que diz quase ter perdido o ombro na única vez que usou uma arma, torna-se um líder corajoso e exímio estrategista, mais que parece sempre entediado. Sua conversão a guerreiro não é persuasiva aos olhos do público e o personagem parece desprovido do carisma e paixão de que o herói necessitava.

    O mesmo pode ser dito do filme como um todo. O Príncipe do Deserto nunca chega a ser convincente ou emocionante o suficiente para fazer a audiência embarcar na história, se importar de fato com o que se desenrola na tela.