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    O PROTETOR

    Cenas de ação bem produzidas não salvam roteiro previsível
    Por Júlia Fernandes
    22/09/2014

    Expectativa é o que não faltava em O Protetor, nova colaboração entre Denzel Washington e o diretor Antoine Fuqua, responsáveis pelo excelente Dia De Treinamento - filme que rendeu o Oscar para o ator. Confiando demais nas cenas de ação superproduzidas e na cara de badass que o ator já tem quase naturalmente, o longa peca pelo roteiro pouco inspirado .

    Baseado na série The Equalizer, exibida pela CBS entre 1985 e 1989, O Protetor conta a história de um ex-agente que fingiu sua própria morte para ter uma vida tranquila. Robert 'Bob' McCall aparenta ser apenas um homem que trabalha em uma loja de departamento e tem uma vontade incontrolável de ajudar o próximo. Metódico e sistemático, sua insônia o faz frequentar todos os dias a mesma lanchonete e jogar conversa fora com a perturbada garota de programa Alina (Chloë Grace Moretz, de Se Eu Ficar). Quando ela é brutalmente espancada por um cafetão, Bob volta aos velhos hábitos e acaba se envolvendo em uma luta contra a máfia russa e sua rede de prostituição e tráfico de drogas e armas.

    Denzel é uma escolha coerente para construir um personagem cujas origens são desconhecidas e, embora carregue tristezas do passado, se mantém forte e indestrutível do começo ao fim. Com a típica premissa de filmes de ação onde o protagonista vai resolver tudo sozinho, outros personagens como a própria Alina e o mafioso Teddy (Marton Csokas, de Noé) são deixados de lado e servem apenas para ressaltar o quão impressionante o protagonista é.

    Quando finalmente chegam as sequências de ação, ela cumprem seu papel: são bem feitas e prezam pelo cuidado visual. A mania de Bob cronometrar tudo que faz, desde lavar a louça até matar cinco homens em uma sala, é um belo toque de estilo acrescentado à forma. Já as sequências em câmera lenta e os efeitos de luz distorcida lembram Sherlock Holmes e não dizem muita coisa.

    Embora o filme tenha uma premissa interessante, os clichês prejudicam a construção do personagem principal: ele é uma espécie de herói invisível que não precisa de ajuda, mas o roteiro nunca revela os métodos com com os quais ele consegue as informações que usa contra os inimigos. Mesmo assim, Robert sempre consegue solucionar os problemas que surgem pela frente. Faltam reviravoltas ou momentos mais surpreendentes - algo que Washington segura tão bem em filmes como O Voo e Um Ato De Coragem

    Não há como negar que, ainda que mal explorado, existe por trás de O Protetor uma grande produção e um elenco de qualidade. Deu para perceber que o objetivo era manter o mesmo clima dos anos 80, relembrando o estilo da série original. Entre os vários longas de ação que pipocam nos cinemas durante todo o ano, esse acaba valendo pelo entretenimento. Vá ao cinema e divirta-se.