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    O QUARTO DE JACK

    Relação de mãe e filho é aprofundada por grandes atuações
    Por Daniel Reininger
    15/02/2016

    O Quarto De Jack é um drama emocional intenso, que prende nossa atenção desde o primeiro minuto ao mostrar a relação do menino Jack (Jacob Tremblay), de cinco anos, e sua mãe, Joy (Brie Larson), que vivem dentro de um minúsculo quarto, onde cozinham, se exercitam, tomam banho e tentam ter uma vida normal.

    O espectador vai aproveitar melhor o filme se não souber detalhes da trama. Infelizmente, o trailer mostra praticamente todos os momentos-chave e tira a possibilidade de surpresas que deixam a narrativa ainda mais interessante. Então, se você tem a oportunidade de assistir ao Quarto de Jack sem saber nada sobre ele, aproveite e faça isso, não leia nem a sinopse e vá ao cinema logo, afinal o filme é realmente bom. Para você que fugiu de tudo isso, os parágrafos a seguir contém spoilers.

    Para todos aqueles que leram a sinopse, viram o trailer ou já sabem detalhes da trama, a experiência muda um pouco, mas continua impactante, afinal, a narrativa procura mesmo desenvolver as questões psicológicas da mãe e do filho mantidos num cativeiro por anos. Metade da produção se passa dentro do tal quarto e a outra metade com a dupla de volta ao mundo exterior, tentando se adaptar à nova realidade. E, para Jack, tudo aquilo era inimaginável, então a reação do garoto é algo único de presenciar.

    Na primeira metade, a relação de Larson e Tremblay é cativante e a utilização do espaço pelo diretor Lenny Abrahamson impressiona. No início, o quarto parece suficientemente espaçoso para os dois e cheio de possibilidades, entretanto, conforme a situação se desenrola, o pequeno quarto fica cada vez mais claustrofóbico.

    Para quem não teve detalhes da trama até então, parece que o foco do filme será a fuga da dupla, mas essa é apenas parte da história, afinal, a maior parte do tempo da produção é dedicada à forma como mãe e filho lidam com a nova vida e com a atenção que recebem da mídia e família.

    Em termos de ritmo, O Quarto de Jack parece dois longas separados, com o clímax óbvio acontecendo antes da metade, enquanto a segunda parte é mais focada no drama, mais lenta e densa. As grandes atuações de Brie Larson, merecidamente indicada ao Oscar, e do surpreendente garoto Jacob Tremblay, que merecia ser indicado, são muito importantes para o longa funcionar, tanto no quarto quanto fora dele. Quando a história de Joy começa a ir para um caminho obscuro, a curiosidade de Jack gera o equilíbrio entre esperança e depressão e ajuda a nos manter interessados.

    A visão pelos olhos do jovem rapaz proporciona ao filme um tom muito menos sombrio do que poderia, e a forma como o garoto lida com o mundo é encorajadora e, muitas vezes, emocionante, como quando ele realiza um de seus sonhos. Até por isso, o longa é bastante tenso e cativante do começo ao fim.

    No final das contas, O Quarto de Jack oferece um olhar angustiante sobre vítimas de sequestros e como suas vidas são, para sempre, alteradas. Muitas vezes, a liberdade apenas aprofunda o sofrimento, quando se percebe tudo que foi perdido e, lidar com isso, não é nada fácil. Paralelamente, vemos como o retorno inesperado de um ente querido afeta os envolvidos de forma avassaladora; e a maneira como essas relações se desenvolvem é o grande trunfo dessa bela obra.