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    O QUARTO DO PÂNICO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Criminosos fazendo reféns inocentes dentro de suas próprias casas não é exatamente um tema novo no cinema. Horas de Desespero (o original com Humphrey Bogart ou a refilmagem com Anthony Hopkins) ou mesmo Fiel Mas Nem Tanto (com Cher e Chazz Palminteri) já trataram do tema com maior ou menor qualidade. Porém, nesta era de extrema violência urbana que o mundo vive, o assunto parece voltar com muito mais intensidade. Intensidade, por sinal, é o que não falta ao filme O Quarto do Pânico, mistura de drama e suspense escrita por David Koepp (roteirista de Homem-Aranha) e dirigida por David Fincher, o mesmo de O Clube da Luta.

    Tudo começa quando Meg (Jodie Foster), uma mulher recentemente divorciada, muda-se com suas dores, seus ressentimentos e sua filha adolescente Sarah (Kristen Stewart) para uma imponente mansão num bairro nobre de Nova York. Fazer o ex-marido pagar pelo casarão é um dos fatores que motivam e apressam a mudança. Outro motivador é o chamado “quarto do pânico”, uma suíte blindada, anexa ao quarto principal, que servia como um tipo de bunker para o morador anterior, um milionário excêntrico. Sarah imediatamente se apaixona pelo quarto e faz sua mãe decidir pela compra da mansão.

    Logo na primeira noite que Meg e Sarah passam na nova casa, ela é invadida por três assaltantes. Imediatamente, as duas se trancam no bunker, imaginando estarem seguras. Porém, é exatamente no pequeno quarto que está o suposto tesouro que os criminosos procuram. Inocentes trancados por dentro. Marginais à solta tentando entrar. Entre eles, monitores de TV e linhas telefônicas nem sempre em funcionamento. Está montado o cenário ideal para um emocionante jogo de esconde-esconde urbano.

    Sempre um estilista, o diretor Fincher esbanja talento ao transformar a casa onde tudo acontece num verdadeiro personagem da trama. Graças aos efeitos especiais, sua câmera passeia com total desenvoltura por entre paredes e dutos, buracos de fechaduras e janelas, colocando o espectador numa posição mais do que privilegiada: a de saber de tudo e de todos, mesmo quando os próprios personagens estão perdidos. Esta seria a verdadeira receita de suspense, de acordo com Hitchcock: quem está na platéia sabe de tudo, quem está na tela não sabe. O clima de tensão é incessante. A fotografia escura torna tudo mais sombrio e a carga dramática permeia o roteiro praticamente durante todo o tempo da projeção.

    Um filme com tanta carga emocional, com luz e cortes perfeitos, nem precisaria contar com atores tão bons. Mas conta. Jodie Foster mantém seu estilo visceral de interpretação, sempre forte e convincente. A novata Kristen Stewart a acompanha com talento e não deixa a peteca cair. E o carismático Forest Whitaker é perfeito no papel do ladrão de bom coração.

    Com tantas qualidades, não é de se estranhar que O Quarto do Pânico tenha quase alcançado invejáveis US$ 100 milhões nas bilheterias norte-americanas, mais que o dobro de seu custo. Por muito pouco, o filme não se transforma no terceiro sucesso seguido estrelado por Nicole Kidman, depois de Moulin Rouge e Os Outros. Explica-se: a atriz teve de recusar o papel de Meg, por causa de uma contusão no joelho sofrida durante as filmagens de Moulin Rouge. Como “prêmio de consolação”, ela faz a voz da namorada do marido de Meg ao telefone. Mesmo grávida de dois meses, Jodie Foster acabou ficando com o papel principal e teve apenas nove dias para preparar seu personagem. Para finalizar o filme, algumas cenas foram feitas após o ela ter dado à luz. Todo o esforço valeu a pena: O Quarto do Pânico é um dos melhores filmes de suspense das últimas temporadas.

    3 de junho de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br