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    O QUE RESTA DO TEMPO

    Não há propriamente uma história, nem mesmo histórias. Temos apenas sketches independentes
    Por Sérgio Alpendre
    04/02/2010

    Elia Suleiman ficou conhecido do público brasileiro quando seu filme anterior, Intervenção Divina, causou frisson na Mostra SP e posteriormente entrou no circuito comercial.

    Seu tipo de cinema é singular. Não há propriamente uma história, nem mesmo histórias. Temos apenas sketches independentes, às vezes com certa relação entre um e outro, menos por uma narrativa do que pela familiaridade que vamos adquirindo com certos personagens.

    Com O Que Resta do Tempo, filme que continua numa franca ofensiva contra a intolerância e o Estado de Israel, aprofunda algumas críticas, enquanto deixa o poder imagético de seu cinema ainda mais forte.

    Não que O Que Resta do Tempo seja superior a Intervenção Divina. Certamente não é o caso. Mas é perceptível que seu cinema se beneficia de um conhecimento prévio de sua militância pela Palestina, ou, melhor ainda, pela convivência pacífica entre os povos. Essa militância às vezes pega pesado com os israelenses, como na cena em que uma transeunte entusiasta é assassinada friamente por manifestar apoio ao que ela pensa ser uma manifestação palestina.

    Mas a maior qualidade de Suleiman é seu poder de construir planos fixos repletos de significados. Com enquadramentos e movimentação de atores rigorosos e um uso irrepreensível da banda sonora. O Que Resta do Tempo pode não ser diversão fácil, mas é certamente um dos filmes mais originais que pudemos ver na Mostra em 2009.